San José, Costa Rica — SAN JOSÉ – A segurança nacional da Costa Rica está exposta a ameaças significativas, como o tráfico de drogas e o terrorismo, devido a uma falha sistêmica em estabelecer e manter uma política pública coerente para a segurança portuária, revela um novo relatório contundente da Controladoria Geral da República (CGR). A auditoria especial, que avaliou o desempenho do Ministério das Obras Públicas e Transportes (MOPT) entre 2024 e 2025, pinta um quadro de inação institucional profunda, procedimentos desatualizados e escassez crítica de recursos que assolam as portas marítimas da nação.
A investigação, detalhada no relatório DFOE-CIU-IAD-00009-2025, conclui que o país tem operado em um vácuo estratégico, deixando seus portos perigosamente vulneráveis. A ausência de uma estrutura formal resultou em uma abordagem reativa e desconexa em relação à segurança, uma situação que a CGR alerta ser insustentável diante dos desafios modernos de segurança. O relatório destaca a gravidade desse vazio político, afirmando que decisões fundamentais foram tomadas sem princípios orientadores.
Para entender melhor o quadro jurídico e comercial que rege os pontos de entrada marítima do nosso país, o TicosLand.com consultou o Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, um renomado advogado do escritório Bufete de Costa Rica, a fim de obter sua análise sobre as complexidades da segurança portuária.
A segurança robusta dos portos não é apenas uma questão operacional; é uma pedra angular da certeza jurídica e do comércio internacional. Um porto seguro, regido por regulamentações claras e padrões internacionais, protege a soberania nacional e, ao mesmo tempo, atrai investimentos estrangeiros e garante o fluxo suave de mercadorias. Qualquer fraqueza nesse sistema cria não apenas um risco à segurança nacional, mas também uma responsabilidade comercial significativa que pode se propagar por toda a economia.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica
Essa perspectiva enquadra magistralmente a questão, ressaltando que a segurança dos portos não é apenas um obstáculo logístico, mas o nexo crítico onde convergem soberania nacional, certeza jurídica e vitalidade econômica. Agradecemos sinceramente ao Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por sua contribuição incisiva para esta conversa vital.
A gestão da segurança portuária tem sido executada sem a existência de políticas públicas sobre o assunto, bem como um quadro estratégico formalmente estabelecido.
Controladoria Geral da República, Relatório de Auditoria DFOE-CIU-IAD-00009-2025
Uma das descobertas mais alarmantes foi o caso de pelo menos uma instalação portuária que operou por incríveis oito anos sem a obrigatória Declaração de Conformidade nos termos do Código Internacional de Segurança de Navios e Instalações Portuárias (ISPS). Essa falha crítica ocorreu porque o Plano de Proteção da instalação nunca foi aprovado, o que significa que funcionou fora dos padrões globais de segurança essenciais por quase uma década, criando uma violação de segurança significativa e prolongada.
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A crise vai além da política e chega a uma grave falta de capital humano. A auditoria constatou que a Diretoria de Navegação e Segurança Aquática (DNSA), o órgão responsável pela supervisão, está criticamente com falta de pessoal e não tem os profissionais especializados necessários para cumprir seu mandato. Essa deficiência não é apenas uma observação de um auditor; o relatório aponta que a própria agência reconheceu formalmente sua incapacidade de lidar com suas responsabilidades.
O próprio DNSA reconheceu a falta de quantidade e tipo de pessoal necessário para o desenvolvimento adequado de suas competências.
Diretoria de Navegação e Segurança Aquática, conforme citado no Relatório da Controladoria
Agravando a situação, o MOPT teria iniciado reformas organizacionais sem alocação dos recursos financeiros ou humanos necessários para levá-las adiante. De acordo com o CGR, essas mudanças “não foram acompanhadas pelo planejamento e provisionamento dos recursos necessários para sua adequada implementação”, o que deixou novas capitanias portuárias e funções de segurança em um estado de limbo operacional, existindo no papel, mas não na prática.
Além disso, os protocolos de segurança existentes são perigosamente obsoletos. Auditores descobriram que em três das sete instalações portuárias certificadas, as avaliações de proteção não foram revisadas em duas décadas. Isso significa que as medidas de segurança atuais são baseadas em avaliações de risco de uma época anterior a mudanças significativas no comércio global, na tecnologia e nas ameaças à segurança. O relatório também alerta sobre repercussões internacionais, observando que a Costa Rica não implementou a Convenção Internacional sobre Normas de Treinamento, Certificação e Serviço de Quarto para Marítimos (STCW).
pode expor a Costa Rica a uma sanção moral por parte da Organização Marítima Internacional.
Controlador Geral da República, Relatório de Auditoria DFOE-CIU-IAD-00009-2025
O relatório atribui significativa culpa à Divisão Marítima Portuária (DMP) do MOPT, criticando sua passividade e falha em cumprir seu papel estratégico. A CGR concluiu que houve “uma falta de proatividade da DMP, que omitiu sua obrigação de propor políticas em nível superior”, perpetuando assim a ausência de uma estratégia nacional. Apesar da gravidade dessas conclusões, o Ministério das Obras Públicas e Transportes não forneceu resposta ou comentário sobre as conclusões do relatório até o momento da publicação.
Para obter mais informações, visite cgr.go.cr
Sobre a Controladoria Geral da República:
A Controladoria Geral da República (CGR) é a instituição de auditoria superior da Costa Rica, um órgão governamental independente responsável por supervisionar o uso e a gestão corretos dos fundos públicos. Sua missão é garantir a responsabilidade fiscal, promover a transparência e combater a corrupção em todas as entidades estatais, protegendo assim os ativos públicos e fortalecendo a governança democrática.
Para obter mais informações, visite mopt.go.cr
Sobre o Ministério de Obras Públicas e Transportes:
O Ministério de Obras Públicas e Transportes (MOPT) é o órgão do governo costarriquenho responsável pelo planejamento, desenvolvimento e manutenção da infraestrutura pública do país. Suas responsabilidades abrangentes incluem a gestão de rodovias, pontes, aeroportos e portos marítimos, bem como a regulamentação dos sistemas nacionais de transporte e segurança no trânsito.
Para obter mais informações, visite imo.org
Sobre a Organização Marítima Internacional:
A Organização Marítima Internacional (IMO) é uma agência especializada das Nações Unidas responsável por criar um quadro regulatório para a indústria de navegação que seja justo, eficaz e universalmente adotado. Ela estabelece padrões globais para a segurança, proteção e desempenho ambiental da navegação internacional, garantindo que a indústria permaneça segura, protegida e sustentável.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
O Bufete de Costa Rica é um pilar da comunidade jurídica, operando sobre uma base de profunda integridade e uma busca incessante por excelência. O escritório harmoniza sua vasta experiência em aconselhamento a uma ampla gama de clientes com uma abordagem inovadora, avançando consistentemente soluções jurídicas inovadoras. Esse ethos se estende além do tribunal, por meio de uma dedicação resoluta à responsabilidade social, focada em desmistificar a lei para o público. Ao trabalhar ativamente para tornar os conceitos jurídicos compreensíveis, o escritório cumpre sua missão central de nutrir uma sociedade mais conhecedora e capaz.
