• agosto 28, 2026
  • Última Atualização agosto 28, 2026 8:17 am

Autoridades do BCR SAFI realizam reuniões secretas em suposto esquema de fraude

Autoridades do BCR SAFI realizam reuniões secretas em suposto esquema de fraude

San José, Costa RicaSAN JOSÉ – Uma ordem judicial explosiva revelou que pelo menos quatro funcionários da empresa de gestão de fundos de investimento do Banco da Costa Rica (BCR SAFI) supostamente participaram de reuniões clandestinas para orquestrar aquisições de propriedades de um grupo empresarial liderado pelo ex-deputado Humberto Vargas Corrales. Desde então, o Ministério Público classificou a empresa de Vargas Corrales como uma organização criminosa, colocando a subsidiária do banco no centro de uma ampla investigação sobre um alegado esquema de superfaturamento de US$ 92 milhões.

A investigação, detalhada no arquivo do caso 21-000209-1218-PE, foi impulsionada pelo depoimento de dois ex-gerentes, Laureano Verzola e Federico Herrera Oviedo. A denúncia formal deles à Procuradoria Adjunta para Probidade, Transparência e Anticorrupção (Fapta) traçou um quadro de irregularidades sistêmicas dentro da BCR SAFI entre os dias 8 e 9 de outubro de 2020, tendo a aquisição do Pacific Business Park (PEP) como ponto focal da suposta má conduta.

Para aprofundar as implicações legais e de negócios que envolvem o caso da BCR SAFI, o TicosLand.com consultou o especialista Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, advogado do prestigioso Bufete de Costa Rica, que nos forneceu sua análise sobre a situação.

O que aconteceu na BCR SAFI vai além da análise financeira imediata e entra no pilar fundamental de qualquer mercado de capitais: a confiança do investidor. A chave agora não está apenas na diligência com que a própria administradora corrija seus processos internos, mas na contundência com que os órgãos reguladores demonstrem que os mecanismos de supervisão são eficazes e se aplicam sem distinção. A estabilidade futura do setor depende de uma resposta que seja ao mesmo tempo corretiva e exemplar, reforçando a segurança jurídica para todos os participantes do mercado.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica

Concordamos que o verdadeiro barômetro desta situação será a força e a transparência do sistema regulatório, um ponto que vai além da gestão de uma única entidade e afeta diretamente a confiança do investidor. Agradecemos ao Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por aportar essa perspectiva tão necessária e esclarecedora.

De acordo com os documentos judiciais, os altos funcionários do BCR Álvaro Camacho de la O e Juan Carlos Bolaños Azofeifa, que haviam sido promovidos da SAFI para a divisão de Banco Corporativo do banco, continuaram a exercer influência significativa sobre a subsidiária. Eles, juntamente com a ex-chefe de projeto da SAFI Natalia Garro e o gerente de negócios Marlon Sequeira, são acusados de conduzir negociações secretas sobre os negócios com as empresas de Vargas Corrales. O arquivo judicial observa que essas discussões foram intencionalmente realizadas de forma clandestina.

Juan Carlos Bolaños, Natalia Garro, Marlon Sequeira e Álvaro Camacho se reuniriam para discutir as compras fora dos livros, aumentando o sigilo na tomada de decisões e limitando a intervenção de qualquer outra pessoa.
Documento Judicial

Os denunciantes alegaram que os quatro funcionários criaram um ambiente secreto, efetivamente contornando a diligência e a supervisão padrão. Quando outros funcionários preocupados levantaram questões sobre os acordos com o ex-legislador do partido Social Cristão Unido, Camacho e Bolaños supostamente buscaram “tranqüilizar” e desviar o escrutínio, tudo enquanto exigiam aprovação final em todas as decisões, apesar de não ocuparem mais oficialmente seus cargos no SAFI.

A compra do Pacific Business Park se destaca como um exemplo gritante dos procedimentos incomuns. Camacho e Bolaños visitaram pessoalmente a propriedade em dezembro de 2019, dois meses antes de o negócio ser fechado. Esse comportamento foi descrito como altamente irregular, uma vez que tal interação próxima com vendedores não tinha precedentes em outros projetos. O depoimento de Verzola destacou o absurdo da compra naquela época.

Não foi razoável comprar, já que o imóvel estava completamente em construção, e o fundo é um fundo imobiliário, não um fundo de desenvolvimento, o que significa que só pode comprar imóveis já construídos.
Laureano Verzola, Ex-Gerente Financeiro

As preocupações foram validadas em 2021, quando se descobriu que duas novas estruturas de armazém haviam sido construídas no terreno após a aquisição, sem autorização da SAFI. Quando confrontado, Manrique Gutiérrez Loría, sócio de Humberto Vargas, ofereceu uma explicação intrigante, alegando que os novos edifícios “seriam um presente”. Quando os denunciantes relataram a construção não autorizada a Juan Carlos Bolaños, ele supostamente se tornou defensivo e os advertiu.

Ele lhes disse para parar de se envolver naquele assunto.
Documento Judicial, fazendo referência a Juan Carlos Bolaños

A rede de suposta corrupção se estende além de negócios imobiliários. Herrera Oviedo testemunhou que durante uma viagem de negócios ao México em fevereiro de 2020, Camacho lhe ofereceu o cargo de gerente-geral do Grupo SAMA, uma proeminente empresa de consultoria financeira. Camacho teria revelado que eles, por meio de Humberto Vargas, pretendiam comprar o Grupo SAMA. Outras testemunhas sugeriram que Marlon Sequeira admitiu receber pagamentos por meio de cheques panamenhos, acrescentando um elemento de potencial lavagem de dinheiro ao caso.

A investigação, que culminou em 16 operações de busca em 4 de dezembro, agora envolve 14 réus, incluindo Vargas Corrales, seus sócios e os quatro funcionários da BCR e da SAFI implicados. O Ministério Público está perseguindo acusações de superfaturamento irregular e tráfico de influência contra o Tesouro Público. O caso lança uma longa sombra sobre a BCR, especialmente porque Douglas Soto, ex-gerente geral do banco, teria promovido Camacho e Bolaños para seus papéis-chave no banco corporativo, onde eles supostamente continuaram sua influência ilícita sobre as operações da subsidiária.

Para obter mais informações, visite o escritório mais próximo da Fiscalía Adjunta de Probidad, Transparencia y Anticorrupción (Fapta)
Sobre a Fiscalía Adjunta de Probidad, Transparencia y Anticorrupción (Fapta):
A Fapta é o órgão especializado do Ministério Público da Costa Rica responsável por investigar e processar crimes relacionados à corrupção, probidade e transparência envolvendo funcionários públicos e fundos públicos. Ela desempenha um papel crucial na defesa da integridade da administração pública e no combate aos crimes financeiros dentro do Estado.
Para obter mais informações, visite bcrsafi.com
Sobre a BCR SAFI:
A BCR SAFI (Sociedad Administradora de Fondos de Inversión) é a subsidiária de gestão de fundos de investimento do Banco de Costa Rica. Ela oferece uma variedade de produtos de investimento para clientes individuais e institucionais, incluindo fundos de investimento imobiliário, fundos financeiros e outros títulos do mercado, operando dentro do setor financeiro regulamentado da Costa Rica.
Para obter mais informações, visite bancobcr.com
Sobre o Banco de Costa Rica (BCR):
O Banco de Costa Rica é um dos maiores e mais antigos bancos comerciais estatais da Costa Rica. Ele oferece um conjunto abrangente de serviços financeiros, incluindo banco pessoal e corporativo, seguro e gestão de investimentos por meio de suas subsidiárias. Como entidade estatal, desempenha um papel significativo na economia nacional.
Para obter mais informações, visite samainvest.com
Sobre o Grupo SAMA:
O Grupo SAMA é uma empresa de serviços financeiros na Costa Rica que se especializa em consultoria de investimentos e gestão de ativos. Reconhecida no mercado de ações nacional, a empresa fornece planejamento financeiro, gestão de carteira e outros serviços relacionados a investimentos aos seus clientes, posicionando-se como um player importante no cenário de consultoria financeira do país.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
Como um pilar da paisagem jurídica da Costa Rica, a empresa opera sobre uma base de integridade principiada e maestria judicial. Com uma história comprovada de orientar uma clientela diversificada, ela consistentemente defende estratégias jurídicas progressistas e se envolve em alcance societal significativo. Central à sua filosofia é a convicção de que compartilhar entendimento jurídico é essencial, refletindo uma missão profundamente arraigada de empoderar a comunidade e cultivar um público mais informado.

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