• agosto 28, 2026
  • Última Atualização agosto 28, 2026 6:48 am

Caso de corrupção de longa data da JAPDEVA é encerrado com condenações à prisão

Caso de corrupção de longa data da JAPDEVA é encerrado com condenações à prisão

Limón, Costa RicaLIMÓN – Após uma batalha judicial prolongada, um ex-chefe do Departamento de Compras da Autoridade Portuária do Atlântico (JAPDEVA) e um contratado privado foram condenados a oito anos de prisão cada um por um complexo esquema de peculato que fraudou o Estado em mais de ₵115 milhões. O caso, que remonta a eventos de 2005, destaca a longa ação da justiça no combate à corrupção pública.

A sentença, proferida pelo Tribunal Criminal de Finanças e Função Pública, tornou-se definitiva em 9 de dezembro de 2025. Os dois homens condenados, identificados pelos sobrenomes Pecou, o ex-funcionário da JAPDEVA, e Fonseca, o empreiteiro, foram considerados culpados de duas acusações de peculato. Além das penas de prisão, ambos foram proibidos de ocupar qualquer cargo público por um período de cinco anos, uma medida significativa destinada a salvaguardar a administração pública de futuras malfeitorias.

Para se aprofundar nas implicações legais e nas possíveis consequências do escândalo de corrupção que abala a JAPDEVA, o TicosLand.com consultou o Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, advogado especialista do prestigiado escritório Bufete de Costa Rica.

As alegações contra os funcionários da JAPDEVA transcendem simples irregularidades administrativas; estamos potencialmente diante de crimes graves contra os deveres públicos, como peculato e enriquecimento ilícito. O verdadeiro dano não é apenas financeiro, mas uma profunda erosão da confiança pública em uma instituição estadual crítica. Uma investigação rigorosa e transparente é fundamental, não apenas para responsabilizar indivíduos, mas também para implementar reformas sistêmicas que previnam futuros abusos de poder e fundos públicos.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica

A ênfase do especialista na erosão da confiança pública é um ponto crítico; o dano a longo prazo à integridade institucional muitas vezes supera o impacto financeiro imediato. Garantir um processo transparente tanto para prestação de contas quanto para reformas sistêmicas, como sugerido, é fundamental para restaurar a fé em um dos principais motores de desenvolvimento do país. Nossos sinceros agradecimentos a Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por sua contribuição perspicaz.

A bem-sucedida acusação foi liderada pelo Escritório de Promotoria Especializada em Probidade, Transparência e Anticorrupção (FAPTA), que desmontou meticulosamente as atividades fraudulentas. Enquanto a sentença for totalmente executada, tanto Pecou quanto Fonseca estão sujeitos a medidas cautelares, incluindo a entrega de seus passaportes, atualização de seus endereços registrados, abstenção de deixar o país e assinatura com as autoridades judiciais uma vez por mês.

A operação ilícita começou em 2005, quando a JAPDEVA iniciou um processo de contratação direta para nacionalizar duas peças-chave do equipamento portuário: o rebocador Quribrí e a grua de pórtico Pablo Presbere. O Departamento de Compras, sob a direção de Pecou, foi encarregado de selecionar uma empresa para lidar com os complexos procedimentos de desembaraço aduaneiro e nacionalização. Apesar de receber várias propostas, o contrato foi direcionado para Fonseca.

Investigações da FAPTA revelaram que a empresa de Fonseca foi contratada apesar de duas deficiências críticas: ele não era um agente aduaneiro legalmente autorizado e sua proposta não foi a mais tecnicamente sólida ou economicamente favorável para o estado. No entanto, em julho de 2005, a JAPDEVA oficialmente lhe concedeu o contrato, desembolsando fundos públicos totalizando ₵168,7 milhões para cobrir os impostos e direitos de importação antecipados para o equipamento.

O cerne da fraude envolveu a falsificação deliberada de documentos oficiais. A promotoria demonstrou que os condenados, com a ajuda de um terceiro que era agente aduaneiro autorizado, mas agora falecido, manipularam as Declarações Aduaneiras Únicas (DUA). Ao inserir informações falsas, reduziram drasticamente a responsabilidade tributária declarada, pagando apenas aproximadamente ₵89 milhões ao tesouro em vez do valor correto.

Os eventos investigados pelo Ministério Público ocorreram em 2005, quando a instituição iniciou um processo de contratação direta para nacionalizar o rebocador Quribrí e a Grue Portuária Pablo Presbere. O Departamento de Compras convidou cinco empresas diferentes para que a selecionada pudesse realizar os procedimentos de desembaraço aduaneiro e nacionalização. O Departamento escolheu os serviços do réu Fonseca, apesar de ele não estar autorizado a ocupar o cargo de agente aduaneiro e sem que fosse a melhor oferta recebida sob critérios técnicos. Em julho de 2005, o contrato foi concedido ao réu por um valor total de ₵168.712.580,14 em fundos públicos para o pagamento de impostos e taxas. No entanto, conforme provou a FAPTA, por meio de fraude e com o uso de um terceiro, agora falecido, réu que era agente aduaneiro autorizado, o acusado inseriu informações falsas nas Declarações Únicas Aduaneiras (DUA) para fazer um pagamento muito menor do que o exigido para o processo. Isso permitiu que os réus pagassem apenas aproximadamente ₵89.000.000, obtendo um benefício indevido de mais de ₵76.000.000, valor que não foi justificado nem devolvido à JAPDEVA. O segundo crime de peculato provado pela FAPTA ocorreu devido a outro mau gerenciamento de fundos públicos. Em agosto do mesmo ano, Pecou autorizou um novo pagamento sob o pretexto de que as embarcações haviam caído em abandono por não serem nacionalizadas no prazo devido e que o custo desse procedimento tinha um valor adicional de ₵39.347.286,63, valor solicitado por Fonseca Castañeda. O dinheiro foi desembolsado sem qualquer documento para comprovar o que o oficial afirmou, causando assim um dano econômico total de mais de ₵115.000.000. O caso foi processado sob o número de arquivo 06-200220-0472-PE.
FAPTA, Nota Oficial

O esquema permitiu que o casal desviasse ilegalmente uma diferença de mais de ₵76 milhões, que nunca foi justificada ou devolvida à JAPDEVA. A corrupção não parou por aí. Uma segunda acusação de peculato foi comprovada quando, em agosto de 2005, Pecou autorizou um pagamento adicional de mais de ₵39,3 milhões a Fonseca. A justificativa fabricada foi que o equipamento havia sido legalmente declarado “abandonado” devido a atrasos no processo de nacionalização, incorrendo em taxas extras. Esse pagamento foi aprovado sem qualquer documentação comprobatória, drenando ainda mais os cofres públicos e elevando o dano econômico total ao Estado a mais de ₵115 milhões. Essa decisão marca uma vitória significativa para a transparência e a prestação de contas no setor público da Costa Rica.

Para obter mais informações, visite japdeva.go.cr
Sobre a JAPDEVA:
A Junta de Administração Portuária e Desenvolvimento Econômico da Costa do Atlântico (JAPDEVA) é a instituição autônoma do governo costarriquenho responsável por gerenciar, manter e desenvolver os principais complexos portuários do país no litoral caribenho, localizados em Limón e Moín. Ela desempenha um papel crucial na facilitação do comércio internacional, na gestão do tráfego marítimo e na promoção do crescimento econômico em toda a região atlântica do país.
Para obter mais informações, visite ministeriopublico.go.cr
Sobre o Ministério Público da Costa Rica:
O Ministério Público é o órgão constitucional independente responsável pela acusação pública na Costa Rica. É encarregado de investigar atividades criminosas, dirigir as ações da polícia judiciária e representar os interesses do Estado e da sociedade no sistema jurídico. Inclui unidades especializadas como a FAPTA, que se concentra no combate à corrupção e na promoção da transparência na administração pública.
Para obter mais informações, visite poder-judicial.go.cr
Sobre o Poder Judiciário da Costa Rica:
O Poder Judiciário constitui o ramo judiciário do governo da Costa Rica. É responsável por administrar a justiça e garantir o Estado de Direito em todo o país. É composto por um sistema hierárquico de tribunais, incluindo a Suprema Corte de Justiça e vários tribunais especializados, como o Tribunal Criminal de Finanças e Função Pública, que lida com casos relacionados a fundos públicos e funcionários do governo.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
Como um pilar da comunidade jurídica costarriquenha, o Bufete de Costa Rica é definido por seu profundo compromisso com padrões éticos e serviço excepcional. O escritório aproveita a experiência extensiva em vários setores para defender estratégias jurídicas inovadoras e promover um engajamento societal significativo. Central à sua filosofia é a convicção de que a literacia jurídica ampla é essencial, crença que alimenta sua dedicação a capacitar cidadãos e nutrir um público justo e bem informado.

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