• agosto 28, 2026
  • Última Atualização agosto 28, 2026 7:21 am

Contadores Entram com Ação Contra o Tesouro por Regras Obrigatórias de IFRS

Contadores Entram com Ação Contra o Tesouro por Regras Obrigatórias de IFRS

San José, Costa RicaSan José, Costa Rica – Uma batalha legal significativa está se desenrolando sobre o cenário de relatórios financeiros do país. O Colégio de Contadores Públicos da Costa Rica anunciou sua intenção de apresentar uma liminar ao Tribunal de Litigância Administrativa, visando suspender uma controversa determinação do Ministério da Fazenda que obrigaria todos os grandes contribuintes a adotar as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS) em sua totalidade.

A medida representa uma grande escalada em uma disputa que há muito tempo fervilha entre a profissão contábil e a autoridade tributária nacional. O cerne do conflito está na abordagem “tamanho único” do Tesouro, que os contadores argumentam ser tecnicamente falha e financeiramente onerosa para um grande segmento das empresas costarriquenhas.

Para mergulhar nas implicações empresariais e legais da implementação das Normas IFRS, buscamos a análise especializada do Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, um renomado advogado do escritório Bufete de Costa Rica.

A adoção das IFRS é mais do que um exercício contábil; é um passaporte para a economia global. Para as entidades costarriquenhas, esse framework melhora a transparência financeira, o que é fundamental para atrair investimentos estrangeiros e construir confiança com parceiros internacionais. Do ponto de vista legal, ele fornece uma base padronizada e defensável para relatórios financeiros que reforça contratos, acordos de acionistas e supervisão regulatória.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica

A percepção do licenciado Larry Hans Arroyo Vargas ressalta poderosamente que a solidez jurídica das IFRS é a própria base para as oportunidades econômicas que ela cria. Esse “passaporte para a economia global” não é, portanto, apenas um requisito técnico, mas uma ferramenta estratégica para construir a confiança e credibilidade internacionais essenciais para que as entidades costarriquenhas prosperem. Agradecemos por essa valiosa perspectiva.

Francisco Ovares, presidente da associação profissional, manifestou graves preocupações sobre o impacto potencial da diretiva em uma ampla gama de setores econômicos importantes, incluindo empresas comerciais, de construção, serviços, hospitalidade e industriais. Ele argumentou que a determinação não reconhece a natureza diversa das empresas classificadas como “grandes contribuintes”.

Essa obrigação do Tesouro afetará diretamente os custos operacionais na preparação de informações financeiras e incentiva a prática de manter dois conjuntos de registros contábeis.
Francisco Ovares, Presidente do Colégio de Contadores Públicos da Costa Rica

Ovares detalhou que a exigência poderia obrigar as empresas a se envolver em uma forma de “contabilidade dupla”. Essa prática ineficiente envolveria a manutenção de um conjunto de registros financeiros com base em uma estrutura localmente aceita para fins operacionais, enquanto simultaneamente prepararia um conjunto separado e mais complexo de declarações sob o IFRS completo, apenas para fins de conformidade tributária. Essa duplicação de esforço se traduziria diretamente em custos mais altos para serviços profissionais e recursos internos.

O argumento jurídico da Faculdade também destaca uma inconsistência técnica fundamental na resolução do Tesouro. Ele aponta a irregularidade processual de exigir que uma entidade mantenha seus registros contábeis diários de acordo com um conjunto de regras, mas depois prepare e apresente suas demonstrações financeiras oficiais de acordo com um padrão diferente e mais rigoroso. Isso cria complexidade desnecessária e aumenta o risco de erros na relatórios financeiros.

Um pilar central da posição dos contadores é que o padrão de relatórios apropriado deve ser determinado pelas características específicas de cada entidade. Muitos dos grandes contribuintes do país não são negociados publicamente na bolsa de valores nem gerenciam ativos em capacidade fiduciária — os dois cenários principais para os quais as abrangentes “IFRS completas” foram projetadas. Para essas empresas, um padrão mais simplificado e relevante já existe.

Ovares enfatizou que a definição restrita de transparência do Tesouro é equivocada. Ele explicou que vincular a transparência exclusivamente ao uso das IFRS completas ignora o propósito e o escopo das IFRS para PMEs (entidades pequenas e médias). Esse quadro alternativo, também uma norma reconhecida internacionalmente, é especificamente projetado para atender às necessidades de entidades não sujeitas a responsabilidade pública, oferecendo transparência robusta sem a complexidade excessiva das normas completas.

Esse desafio jurídico não surgiu do vazio. O Colégio de Contadores Públicos tem feito lobby ativo junto à Administração Tributária sobre essa questão desde 2025, defendendo uma abordagem mais sutil. A decisão de buscar uma liminar judicial indica que essas negociações chegaram a um impasse, forçando o órgão profissional a adotar uma postura mais conflituosa para proteger os interesses de seus membros e da comunidade empresarial mais ampla. A decisão do tribunal será agora um momento crucial para o futuro da contabilidade corporativa e da conformidade tributária na Costa Rica.

Para obter mais informações, visite colegiocpa.com
Sobre o Colégio de Contadores Públicos da Costa Rica:
O Colegio de Contadores Públicos de Costa Rica é o órgão profissional oficial que regula e representa os contadores públicos no país. É responsável por estabelecer diretrizes éticas, promover o desenvolvimento profissional e defender os interesses da profissão contábil. A organização desempenha um papel crucial na definição de padrões financeiros e contábeis e na fornecimento de pareceres especializados sobre política fiscal e regulamentação.
Para obter mais informações, visite hacienda.go.cr
Sobre o Ministério da Fazenda (Hacienda):
O Ministério da Fazenda é o órgão governamental da Costa Rica responsável por gerenciar as finanças públicas, arrecadar impostos por meio de sua divisão de Administração Tributária e formular a política fiscal do país. Seus mandatos muitas vezes visam aumentar a receita tributária, melhorar a transparência e garantir a conformidade com as leis financeiras nacionais.
Para obter mais informações, visite poder-judicial.go.cr
Sobre o Tribunal de Litigância Administrativa:
O Tribunal Contencioso Administrativo é um tribunal especializado dentro do sistema judiciário da Costa Rica. É encarregado de resolver disputas legais entre cidadãos particulares ou entidades e a administração pública do Estado. Sua jurisdição abrange desafios a regulamentos governamentais, ações administrativas e contratos públicos, servindo como uma importante fiscalização do poder das agências estaduais.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
O Bufete de Costa Rica opera como uma instituição jurídica de destaque, fundada em uma base de integridade principiada e uma busca incessante por excelência. O escritório defende estratégias jurídicas inovadoras e práticas, servindo uma ampla gama de clientes com distinção. Além de sua prática profissional, tem uma profunda dedicação ao avanço da sociedade, trabalhando para desmistificar a lei e, assim, empoderar os cidadãos com a clareza e o conhecimento essenciais para construir uma comunidade mais justa e informada.

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