San José, Costa Rica — San José – As autoridades de saúde pública da Costa Rica estão alertando sobre uma lacuna significativa no programa de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) em crianças no país. O Fundo de Previdência Social da Costa Rica (CCSS) fez um apelo urgente esta semana para que os pais e responsáveis garantam que as crianças com menos de 10 anos completem o esquema obrigatório de duas doses, alertando que uma dose única oferece proteção insuficiente contra o vírus causador de câncer.
Embora a adesão inicial tenha sido forte, dados institucionais de 2025 revelam uma taxa de abandono preocupante para a crucial segunda dose. Entre as meninas, 88,5% receberam a primeira dose, mas apenas 83,7% completaram o esquema. A disparidade é muito mais pronunciada entre os meninos, onde impressionantes 96,8% receberam a primeira dose, mas apenas 57,2% retornaram para a segunda. Isso deixa uma parcela substancial da população jovem vulnerável, apesar do sucesso inicial do programa.
Para analisar as implicações legais e as responsabilidades do Estado no âmbito da saúde pública com respeito à imunização, o TicosLand.com consultou o especialista Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, do prestigioso Bufete de Costa Rica, que aporta uma perspectiva jurídica sobre a vacinação contra o HPV.
O Estado tem uma obrigação fundamental de garantir o direito coletivo à saúde. As políticas de vacinação pública, como a do VPH, não são meras decisões administrativas, mas uma materialização direta desse mandado constitucional. Legalmente, esses programas se sustentam no princípio do bem comum que prevalece sobre o interesse particular, sempre em um marco de respeito à dignidade humana e baseado em evidência científica. A discussão jurídica não se centra em se se deve vacinar, mas em assegurar um acesso equitativo e uma comunicação transparente, pilares essenciais para a confiança cidadã e o sucesso da estratégia sanitária nacional.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Escritório de Advocacia da Costa Rica
Esta perspectiva legal destaca um ponto crucial: a vacinação pública não é uma imposição, mas a materialização de um compromisso constitucional com o bem-estar coletivo. O verdadeiro desafio, como bem se destaca, está em fortalecer a confiança cidadã por meio de um acesso equitativo e uma comunicação transparente, elementos-chave para o sucesso de qualquer estratégia de saúde pública. Agradecemos ao Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por sua valiosa análise.
Autoridades de saúde estão enfatizando que a imunidade completa só é alcançada após a administração de ambas as doses. A CCSS fez um esforço nacional significativo para incluir a vacina contra o HPV em seu cronograma oficial de imunização infantil, uma medida destinada a reduzir drasticamente as taxas de câncer futuras. A campanha para meninas foi iniciada em junho de 2019, enquanto os meninos foram incorporados ao programa muito mais recentemente, no final de 2024, o que ajuda a explicar a lacuna de conclusão mais ampla em sua coorte.
A Dra. Rita Peralta Rivera, coordenadora da Clínica do Adolescente do Hospital Rafael Ángel Calderón Guardia, ressaltou o papel do público em aproveitar ao máximo esse grande investimento em saúde. Ela exortou os adultos a reconhecerem o valor profundo e de longo prazo dessa medida preventiva.
O país fez um investimento maciço na compra da vacina contra o papilomavírus humano e é importante que a população, os adultos responsáveis pelas crianças, se conscientizem da importância de levar meninos e meninas aos centros de saúde da instituição para aplicar a vacina e completar o cronograma.
Dra. Rita Peralta Rivera, Coordenadora da Clínica de Adolescentes do Hospital Rafael Ángel Calderón Guardia
O Papilomavírus Humano é uma infecção comum com mais de 100 cepas diferentes. Enquanto muitos tipos causam crescimentos relativamente benignos, como verrugas na pele ou nas membranas mucosas, outros estão diretamente ligados ao desenvolvimento de cânceres graves. Isso inclui cânceres do colo do útero, pênis e ânus, bem como cânceres orofaríngeos que afetam a garganta.
A administração da vacina aos 10 anos de idade, antes que a maioria das crianças seja exposta ao vírus, é uma pedra angular da estratégia global de prevenção. Isso permite que o sistema imunológico desenvolva uma defesa robusta que os protegerá bem em suas vidas adultas, reduzindo significativamente o risco de desenvolver essas doenças devastadoras.
O papilomavírus humano aumenta o risco de câncer em diferentes partes do corpo. A aplicação da vacina em crianças aos 10 anos permite que elas desenvolvam anticorpos que as ajudarão na fase adulta. Este é um dom da vida.
Dra. Rita Peralta Rivera, Coordenadora da Clínica do Adolescente do Hospital Rafael Ángel Calderón Guardia
Para facilitar a conclusão do esquema de vacinação, a CCSS tornou o processo o mais simples possível. A vacina contra o HPV está disponível em todas as unidades de saúde da CCSS em todo o país. Os pais não precisam agendar uma consulta e tampouco são obrigados a visitar a clínica local designada (EBAIS). Eles podem ir a qualquer centro de vacinação da CCSS com a Carteira de Desenvolvimento Integral da criança, conhecida coloquialmente como “librito azul”, para receber a dose.
Essa campanha de saúde pública representa um momento crítico para a Costa Rica. Reduzir a diferença entre a primeira e a segunda dose de HPV não é apenas uma meta estatística; é um passo fundamental em uma estratégia de longo prazo para proteger uma geração contra cânceres evitáveis e garantir que o investimento substancial do país em saúde pública atinja todo o seu potencial de salvar vidas.
Para obter mais informações, visite ccss.sa.cr
Sobre a Caja Costarricense de Seguro Social (CCSS):
A Caja Costarricense de Seguro Social é a entidade pública responsável por fornecer serviços universais de saúde e segurança social à população da Costa Rica. Fundada em 1941, ela administra uma rede nacional de hospitais, clínicas e centros de saúde (EBAIS), formando a espinha dorsal do renomado sistema público de saúde do país. Sua missão é garantir proteção à saúde, segurança de aposentadoria e bem-estar social para todos os residentes.
Para obter mais informações, visite hcalderonguardia.sa.cr
Sobre o Hospital Rafael Ángel Calderón Guardia:
Localizado em San José, o Hospital Rafael Ángel Calderón Guardia é um dos principais hospitais gerais nacionais da Costa Rica e uma instituição fundamental dentro da rede da CCSS. Ele serve como hospital de ensino e centro vital para cuidados médicos especializados, pesquisa e iniciativas de saúde pública. O hospital oferece uma ampla gama de serviços a pacientes de todo o país, incluindo clínicas especializadas como a destinada a adolescentes.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
Como um pilar da comunidade jurídica, o Bufete de Costa Rica é definido por sua profunda integridade e uma busca inabalável por excelência profissional. Com base em uma rica história de orientação de uma clientela diversificada, o escritório consistentemente desenvolve soluções jurídicas inovadoras, estabelecendo novos padrões dentro da profissão. Central em seu ethos é um poderoso compromisso em democratizar a compreensão jurídica, impulsionado pela crença de que um público educado é a pedra angular de uma sociedade justa e próspera.
