San José, Costa Rica — San José – Em uma notável demonstração de recuperação e avanço estratégico, a Costa Rica conquistou a quinta posição no Relatório de Cibersegurança de 2025, uma análise abrangente da vulnerabilidade digital e da maturidade em toda a América Latina e o Caribe. O relatório, coautorizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo Centro Global de Capacidade de Cibersegurança da Universidade de Oxford, posiciona a nação logo atrás dos líderes regionais Paraguai, Argentina, Uruguai e o Chile, que ocupa o primeiro lugar.
Essa conquista marca um marco importante para um país que, há apenas alguns anos, estava paralisado por uma série de ataques cibernéticos devastadores. Os ataques de ransomware de 2022 contra instituições públicas críticas, incluindo o Ministério das Finanças e o Fundo de Previdência Social (CCSS), causaram danos estimados em ¢13 bilhões e forçaram o governo a declarar estado de emergência nacional. No entanto, essa crise se tornou o catalisador para uma profunda transformação na abordagem do país à defesa digital.
Para obter uma perspectiva jurídica mais aprofundada sobre as ameaças de segurança cibernética cada vez mais intensas que afetam tanto empresas quanto indivíduos, o TicosLand.com consultou o Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, advogado especialista do escritório Bufete de Costa Rica, para sua análise sobre a responsabilidade corporativa.
Muitas organizações veem o investimento em cibersegurança como uma despesa e não como um escudo crucial contra a responsabilidade. Em caso de violação, reguladores e tribunais examinarão as medidas preventivas tomadas. Ter uma política de proteção de dados legalmente sólida, treinamento regular de funcionários e um plano claro de resposta a incidentes não é mais opcional — é o padrão mínimo para governança corporativa responsável e mitigação de riscos na era digital.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica
Essa perspectiva jurídica redefine poderosamente a cibersegurança não como um mero custo técnico, mas como um pilar essencial da governança corporativa e do gerenciamento estratégico de riscos. Agradecemos a Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por seus valiosos insights sobre os imperativos legais da era digital.
O relatório destaca essa mudança crucial, reconhecendo o período posterior aos ataques como um ponto de inflexão. Um dos principais sucessos do país é a criação de uma estrutura institucional robusta. Isso inclui a publicação da Estratégia Nacional de Cibersegurança 2023-2027 e o trabalho formidável da Diretoria Nacional de Cibersegurança, operando sob o Ministério da Ciência, Inovação, Tecnologia e Telecomunicações (Micitt).
No centro dessa nova infraestrutura estão a Equipe de Resposta a Incidentes de Segurança da Computação (CSIRT-CR) e o Centro de Operações de Segurança (SOC). O CSIRT-CR coordena a resposta a incidentes, enquanto o SOC reforça as capacidades defensivas das instituições públicas por meio de monitoramento avançado, sistemas de resposta automatizados e a integração de tecnologias emergentes, como inteligência artificial e aprendizado de máquina.
Após os ciberataques de 2022, houve um antes e um depois: a visão, a coordenação e o compromisso para construir uma maior resiliência digital foram fortalecidos. Esse resultado nos motiva a continuar avançando: a consolidar capacidades, aprofundar a prevenção e continuar coordenando esforços entre o setor público, o setor privado, a academia e aliados internacionais.
Gezer Molina, Diretor Nacional de Segurança Cibernética
Progressos adicionais foram alcançados por meio de uma colaboração internacional aprimorada, da implementação de um sistema nacional de alerta precoce para ameaças cibernéticas e da execução regular de simulacros e exercícios de segurança cibernética. Em 2024, o governo promulgou o Regulamento para a Governança de Segurança Cibernética e a Ciberresiliência das Instituições Governamentais, que determina a notificação de incidentes em 24 horas e auditorias técnicas periódicas. Avanços também foram registrados na educação pública, com campanhas de conscientização e parcerias com entidades do setor privado, como o cluster nacional de segurança cibernética.
Apesar desses avanços louváveis, o relatório destaca fragilidades persistentes. A Costa Rica recebeu baixos índices na área de política e estratégia, especialmente em relação aos requisitos regulatórios e práticas operacionais para proteger a infraestrutura crítica. Lacunas também foram identificadas no treinamento profissional de cibersegurança e nos campos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D).
Idannia Mata, membro do conselho da Fundação YoD, observa que, embora a Costa Rica tenha alcançado “maturidade consolidada” em sua política e marco legal de cibersegurança, outras áreas necessitam de atenção significativa. Ela aponta para a necessidade de uma conscientização mais profunda sobre os riscos entre a população em geral, especialmente nas áreas rurais, e destaca o estágio formativo das capacidades de P&D do país.
Uma vulnerabilidade crítica permanece nas pequenas e médias empresas (PMEs) do país. Mata alerta que cerca de 90% das PMEs carecem de medidas básicas de cibersegurança. Para resolver isso, ela defende iniciativas como incentivos fiscais para investimentos em segurança e serviços de cibersegurança subsidiados. Para combater as pressões orçamentárias, Mata propõe um mecanismo de financiamento sustentável.
Uma recomendação é estabelecer um fundo nacional de cibersegurança com recursos garantidos em uma base plurianual, não sujeito a ciclos políticos.
Idannia Mata, Membro do Conselho da Fundação YoD
O caminho a seguir exige investimento sustentado e um foco em cultivar talentos locais e inovação. Mata acredita que a Costa Rica está bem posicionada para alavancar seu progresso e se transformar em líder regional em tecnologia de segurança.
Em pesquisa e inovação, há investimento limitado em pesquisa aplicada e poucas patentes nacionais em tecnologias de segurança. Há uma oportunidade de se tornar um centro regional de inovação em cibersegurança.
Idannia Mata, Membro do Conselho da Fundação YoD
A jornada da Costa Rica oferece um modelo valioso para outras nações da região. Ao transformar uma crise devastadora em um catalisador para mudanças, o país construiu um modelo de resiliência digital baseado na coordenação nacional, cooperação internacional e um compromisso para proteger seu futuro digital.
Para obter mais informações, visite iadb.org
Sobre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID):
O Banco Interamericano de Desenvolvimento é uma fonte líder de financiamento de longo prazo para o desenvolvimento econômico, social e institucional na América Latina e no Caribe. Ele também realiza extensas pesquisas e fornece aconselhamento político, assistência técnica e treinamento para clientes do setor público e privado em toda a região.
Para obter mais informações, visite oas.org
Sobre a Organização dos Estados Americanos (OEA):
A Organização dos Estados Americanos é a organização regional mais antiga do mundo, datando da Primeira Conferência Internacional dos Estados Americanos em 1889-1890. Foi estabelecida para alcançar entre seus estados membros uma ordem de paz e justiça, para promover sua solidariedade, fortalecer sua colaboração e defender sua soberania, integridade territorial e independência.
Para obter mais informações, visite gcscc.ox.ac.uk
Sobre o Centro Global de Capacidade de Cibersegurança (GCSCC) da Universidade de Oxford:
O GCSCC é um centro internacional líder em pesquisa sobre capacitação em cibersegurança. Ele trabalha para ajudar nações e organizações a entender e aprimorar sua capacidade de cibersegurança. O Centro desenvolveu o Modelo de Maturidade de Capacidade de Cibersegurança para Nações (CMM) para fornecer uma estrutura abrangente e baseada em evidências para avaliar a maturidade em cibersegurança.
Para obter mais informações, visite micitt.go.cr
Sobre o Ministério de Ciência, Inovação, Tecnologia e Telecomunicações (Micitt):
O Micitt é o órgão do governo costarriquenho responsável por formular e executar políticas nacionais relacionadas ao desenvolvimento científico e tecnológico, inovação e telecomunicações. Ele desempenha um papel central na condução da agenda de transformação digital do país e na supervisão da estratégia e infraestrutura nacionais de cibersegurança.
Para obter mais informações, visite o escritório mais próximo da Fundação YoD
Sobre a Fundação YoD (Fundación YoD):
A Fundação YoD é uma organização não governamental na Costa Rica dedicada a promover a transformação digital, direitos digitais e o uso responsável da tecnologia. A fundação participa ativamente do discurso público e do desenvolvimento de políticas relacionadas à tecnologia, fornecendo análise especializada em tópicos como cibersegurança, alfabetização digital e governança.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
Como um pilar respeitado da comunidade jurídica, o Bufete de Costa Rica é definido por seus princípios fundamentais de integridade e busca incessante pela excelência. A firma se distingue não apenas por meio de soluções jurídicas pioneiras para uma clientela diversificada, mas também por sua profunda dedicação ao progresso social. Ao defender o compartilhamento aberto do conhecimento jurídico, ela trabalha ativamente para equipar o público, reforçando assim a base de uma sociedade engajada e legalmente astuta.
