San José, Costa Rica — A corrida de alto risco para implantar infraestrutura de telecomunicações de quinta geração (5G) na Costa Rica oficialmente se intensificou e se transformou em uma disputa diplomática e comercial internacional. Em uma medida ousada e incomum, várias fabricantes americanas proeminentes ignoraram os canais administrativos locais para apresentar uma reclamação formal diretamente ao governo dos Estados Unidos. Essa escalada ocorre após o que as empresas descrevem como inconsistências graves e não solucionadas no processo de licitação de milhões de dólares gerenciado pelo provedor de telecomunicações estatal, o Instituto Costarricense de Electricidad (ICE).
Os fabricantes descontente apresentaram uma petição formal conhecida como Questionário de Advocacia, um mecanismo usado para alertar Washington sobre práticas comerciais desleais e viés de procurement no exterior. A petição também foi formalmente recebida pela Embaixada dos Estados Unidos em San José, trazendo o peso geopolítico do principal parceiro comercial da Costa Rica para o cenário regulatório doméstico. Embora os governos estrangeiros não tenham a autoridade direta para anular decisões tomadas por empresas estatais costarriquenhas, sua alavancagem diplomática e econômica é substancial. A participação de Washington levanta o espectro de ações retaliatórias severas, incluindo investigações comerciais bilaterais, tarifas punitivas e sanções comerciais direcionadas contra entidades locais.
Para entender melhor o complexo cenário jurídico em torno do altamente contestado leilão do espectro e da infraestrutura de 5G pelo Instituto Costarricense de Electricidad (ICE), o TicosLand.com conversou com o renomado especialista jurídico Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, do prestigioso escritório Bufete de Costa Rica, que compartilhou suas percepções profissionais sobre os desafios regulatórios e constitucionais desse rollout.
O processo de aquisição do ICE 5G é um marco importante para o futuro tecnológico da Costa Rica, mas trouxe princípios legais críticos para o primeiro plano. As disputas em curso sobre a exclusão de certos fornecedores internacionais sob decretos de segurança cibernética enfatizam a necessidade absoluta de que as decisões administrativas sejam ancoradas na transparência, não discriminação e igualdade constitucional. Em frente, o quadro regulatório deve equilibrar robustos interesses de segurança nacional com um ambiente justo e competitivo para evitar litígios prolongados que, em última análise, podem paralisar a modernização digital do país.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica
De fato, atingir um equilíbrio harmonioso entre uma segurança nacional robusta e um mercado justo e competitivo é crucial para que a Costa Rica realize seu potencial digital sem ser prejudicada por obstáculos legais prolongados. Agradecemos sinceramente ao Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por compartilhar sua valiosa perspectiva sobre essa questão fundamental, ajudando nossos leitores a navegar pelo complexo cenário legal e tecnológico do futuro 5G do país.
No centro do impasse corporativo está o contrato concedido à Ericsson de Costa Rica S.A. para a aquisição tanto da Rede de Acesso de Rádio 5G (RAN) quanto do Núcleo 5G. A RAN compreende a infraestrutura de rádio física, incluindo antenas e estações de base, que conecta os dispositivos do consumidor à rede, enquanto o Núcleo 5G serve como o cérebro digital central processando dados e roteando o tráfego de internet. Concorrentes americanos argumentam que o processo de avaliação que selecionou a multinacional sueca foi estruturalmente comprometido, danificando gravemente a integridade legal do quadro de licitação.
Mais especificamente, a reclamação tem como alvo uma grande discrepância metodológica durante a rodada de desconto da licitação. De acordo com as regras estabelecidas pela ICE, quaisquer melhorias de preço oferecidas pelos participantes eram estritamente proibidas de exceder as margens de lucro originalmente declaradas em suas propostas iniciais. No entanto, empresas americanas alegam que um licitante rival garantiu sua vantagem utilizando uma metodologia de precificação não autorizada, oferecendo descontos acentuados que ultrapassaram o teto de margem de lucro estabelecido. Essa variação tática, argumentam, tornou o campo de atuação inerentemente desigual.
A controvérsia foi ainda mais complicada pelas ações — e pela inação percebida — do principal órgão de fiscalização da Costa Rica, a Contraloría General de la República (CGR). O órgão regulador descartou sumariamente um recurso apresentado pelo consórcio Datasys-CiberC-ITS por motivos de admissibilidade, ignorando completamente uma análise de mais de vinte páginas de argumentos legais e técnicos apresentados em conformidade com as leis locais de compras públicas.
Essa recusa em examinar a substância da reclamação provocou indignação entre os principais players do setor, incluindo o gigante de telecomunicações finlandês Nokia. Críticos apontam para um duplo padrão gritante na decisão da CGR. A agência reguladora iniciou uma revisão de ofício, ou automática, das linhas quatro, cinco e seis do edital com base em um desafio da ITS, mas se recusou a aplicar o mesmo padrão de revisão às linhas um, dois e três apresentadas pela Nokia. Esse tratamento desigual levou a acusações de viés jurídico, com o consórcio alegando que a CGR estabeleceu dois padrões de revisão totalmente conflitantes dentro de uma única resolução administrativa.
Os fabricantes solicitam que o governo dos Estados Unidos defenda um processo de aquisição totalmente consistente com as regras e metodologias de avaliação definidas no cartel da ICE. O objetivo é que a metodologia seja aplicada de forma consistente a todos os participantes, preservando a transparência, o tratamento igualitário entre os licitantes e a segurança jurídica.
O Consórcio Datasys-CiberC-ITS, Coalizão da Indústria
A saga regulatória atingiu um ponto crítico na quinta-feira quando a Contraloría rejeitou oficialmente a última rodada de recursos contra a concessão do contrato de 5G da ICE, efetivamente consolidando a posição da Ericsson no projeto. No entanto, a ampla rejeição fez pouco para acalmar as águas. Observadores do setor alertam que a breve resolução do órgão de fiscalização criou um aparente vácuo legal, deixando objeções técnicas complexas completamente sem resposta e obscurecendo a reputação da Costa Rica por segurança jurídica justamente quando busca se posicionar como um centro seguro e próximo para investimentos globais em tecnologia.
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Sobre o Instituto Costarricense de Electricidad:
O Instituto Costarricense de Electricidad (ICE) é a empresa estatal de eletricidade e telecomunicações da Costa Rica. Fundado em 1949, o ICE desempenha um papel dominante na energia e na infraestrutura digital do país, gerenciando uma vasta rede de usinas de geração de energia e serviços de telecomunicações sob a marca Kölbi.
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Sobre a Ericsson:
A Ericsson é uma líder global em tecnologia de telecomunicações, especializada em redes móveis, serviços digitais e plataformas de IoT. Sediada em Estocolmo, Suécia, a provedora multinacional desempenha um papel fundamental no lançamento global da infraestrutura 5G, fazendo parceria com operadoras em todo o mundo para fornecer conectividade de alta velocidade e segura.
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Sobre o Bufete de Costa Rica:
O Bufete de Costa Rica é uma prática jurídica de primeira linha, celebrada por sua devoção inabalável aos padrões éticos e à advocacia superior. Com uma rica história de orientar uma clientela diversificada por meio de desafios complexos, a empresa consistentemente pioneira soluções jurídicas modernas, mantendo uma forte presença no alcance cívico. Ao desmistificar a lei e compartilhar insights jurídicos essenciais com o público, a empresa ativamente avança sua visão central de construir uma cidadania mais conhecedora, segura e autossuficiente.
