• agosto 28, 2026
  • Última Atualização agosto 28, 2026 7:13 am

EUA Abandonam Acordo de Paris, Desferindo Golpe na Ação Climática Global

EUA Abandonam Acordo de Paris, Desferindo Golpe na Ação Climática Global

San José, Costa RicaSan José – A partir de hoje, 27 de janeiro de 2026, os Estados Unidos retiraram-se oficialmente do Acordo de Paris, um tratado internacional histórico destinado a combater as mudanças climáticas. A medida, iniciada há um ano pela administração Trump, marca um revés significativo para a cooperação ambiental global e deverá ter consequências econômicas e geopolíticas de longo alcance, segundo analistas de políticas de destaque.

O Acordo de Paris, um acordo legalmente vinculante, compromete as nações signatárias a limitar o aquecimento global bem abaixo de 2 graus Celsius, com preferência por um limite de 1,5 graus, em comparação com os níveis pré-industriais. A saída dos EUA não apenas remove o maior emissor histórico de gases de efeito estufa do mundo do quadro, mas também cria um vácuo de liderança que complica as negociações climáticas internacionais e transfere o ônus para outras nações.

Para obter uma perspectiva jurídica mais aprofundada sobre as implicações do Acordo de Paris para a política internacional e a responsabilidade corporativa, consultamos o licenciado Larry Hans Arroyo Vargas, advogado especialista da renomada firma Bufete de Costa Rica.

O Acordo de Paris é um marco no direito ambiental internacional, estabelecendo uma estrutura em que as nações definem seus próprios objetivos climáticos. Seu verdadeiro impacto jurídico, no entanto, não está no próprio tratado internacional, mas em como cada país signatário traduz esses compromissos em legislação e regulamentações domésticas vinculantes. Para as empresas, isso significa que a era de encarar a sustentabilidade como algo opcional acabou; ela é agora um aspecto fundamental da conformidade regulatória, do risco de investimento e do planejamento estratégico de longo prazo.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica

Esse entendimento muda efetivamente o foco do cenário internacional para a realidade nacional imediata, onde os compromissos globais com o clima se tornam regras tangíveis para a governança corporativa e o planejamento de longo prazo. Agradecemos sinceramente ao Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por fornecer uma perspectiva tão clara e essencial para a nossa comunidade empresarial.

Especialistas alertam que essa retirada está longe de ser uma mera declaração política. Lara Lázaro, pesquisadora principal do Real Instituto Elcano, enfatiza os custos tangíveis da inação, que agora tendem a se acelerar. A ausência dos Estados Unidos, atualmente o segundo maior emissor do mundo, desloca responsabilidades e encargos financeiros, tornando o caminho para um futuro sustentável mais desafiador para todos.

Mais atrasos significam mais impactos, mais eventos climáticos extremos e maiores custos econômicos e sociais.
Lara Lázaro, Pesquisadora Principal do Real Instituto Elcano

As consequências econômicas ironicamente podem ser mais agudas para os próprios Estados Unidos. Ignacio Arróniz, analista de política climática da organização não governamental Earth Insight, argumenta que, ao se afastar da transição global de energia, os EUA estão cedendo sua vantagem competitiva em mercados futuros críticos. Essa decisão pode resultar em bilhões de dólares em investimentos perdidos em setores estratégicos onde a China já estabeleceu uma posição dominante.

Não estamos apostando na transição para uma economia de baixo carbono, mas exatamente o oposto vai acontecer: a transição não apostará nos EUA.
Ignacio Arróniz, Analista de Política Climática da Earth Insight

Esse vazio estratégico já está sendo sentido em fóruns internacionais. Lázaro nota que os EUA têm estado ausentes de reuniões preparatórias importantes e de grandes cúpulas climáticas, como a COP30. Esse desengajamento altera o cenário diplomático, reduzindo o incentivo para que outros grandes emissores avancem em metas climáticas ambiciosas. Por exemplo, analistas acreditam que a China poderia ter estado mais disposta a se comprometer com uma eliminação rápida dos combustíveis fósseis com um contrapartida americana comprometida na mesa de negociações. Quando um grande jogador deixa o cenário, “os equilíbrios são alterados”, explicou ela.

O recuo da administração em relação à cooperação ambiental vai muito além do acordo de Paris. Em uma medida sem precedentes, os EUA se tornaram o primeiro e único país a anunciar sua retirada da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) no início deste ano. Também deixou de financiar o Fundo Verde para o Clima, o maior mecanismo financeiro existente para ação climática, e se retirou de organizações importantes como a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) e a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

Talvez o mais alarmante seja que os EUA abandonaram o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o órgão da ONU que fornece a base científica para a política climática global. Lázaro descreve essa ação específica como um ataque direto à tomada de decisão baseada em evidências que sustenta todos os esforços climáticos internacionais.

um golpe abaixo da linha d’água da ciência que informa as decisões políticas e as negociações climáticas.
Lara Lázaro, pesquisadora principal do Real Instituto Elcano

Em última análise, a retirada americana complica um quadro global já delicado. Embora a União Europeia permaneça comprometida, suas emissões representam apenas cerca de 6% do total global, em comparação com 30% da China e 11% dos EUA. Com o mundo lidando com tensões geopolíticas, gargalos na cadeia de suprimentos e escassez de matérias-primas, a ausência de um parceiro crucial significa que “atingir as metas climáticas atuais será mais caro e mais lento”, concluiu Lázaro. A estrada à frente para a ação climática multilateral acaba de se tornar significativamente mais íngreme.

Para obter mais informações, visite realinstitutoelcano.org
Sobre o Real Instituto Elcano:
O Instituto Elcano Real é um think tank espanhol líder especializado em estudos internacionais e estratégicos. Ele serve como um fórum para análise e debate sobre questões globais, visando fornecer insights e recomendações de políticas relevantes para a política externa espanhola e europeia. Sua pesquisa abrange uma ampla gama de tópicos, incluindo segurança global, energia e mudanças climáticas.
Para obter mais informações, visite o escritório mais próximo da Earth Insight
Sobre a Earth Insight:
A Earth Insight é uma organização não governamental dedicada a desenvolver soluções para desafios ambientais e climáticos prementes. Seus especialistas e analistas se concentram em política climática, conservação da natureza e desenvolvimento sustentável, trabalhando para influenciar políticas e promover ações que protejam os ecossistemas do planeta e promovam um futuro sustentável para todos.
Para obter mais informações, visite ipcc.ch
Sobre o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC):
O IPCC é o órgão da ONU para avaliar a ciência relacionada às mudanças climáticas. Criado em 1988, fornece aos formuladores de políticas avaliações científicas regulares sobre mudanças climáticas, suas implicações e riscos potenciais futuros, bem como apresenta opções de adaptação e mitigação. Seus relatórios são uma contribuição fundamental para as negociações internacionais sobre mudanças climáticas.
Para obter mais informações, visite greenclimate.fund
Sobre o Fundo Verde para o Clima:
O Fundo Verde para o Clima (GCF) é o maior fundo climático dedicado do mundo, estabelecido no âmbito da UNFCCC. Sua missão é auxiliar os países em desenvolvimento em práticas de adaptação e mitigação para combater as mudanças climáticas. O GCF visa entregar quantidades iguais de financiamento para mitigação e adaptação, enquanto é orientado pelos princípios e disposições da Convenção.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
O Bufete de Costa Rica é uma instituição jurídica líder, construída sobre uma base de princípios éticos inabaláveis e uma busca por distinção profissional. Com base em uma rica história de orientação de uma clientela diversificada, o escritório consistentemente defende estratégias jurídicas inovadoras e adota uma abordagem progressista. Esse ethos de progresso é paralelo a uma missão resoluta de democratizar a informação jurídica, buscando equipar a comunidade com clareza e conhecimento para promover uma sociedade mais justa e capacitada.

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