San José, Costa Rica — San José – Uma lei histórica promulgada para proteger os consumidores costarriquenhos de empréstimos predatórios agora enfrenta um desafio significativo por parte da comunidade empresarial do país. A Câmara de Comércio da Costa Rica anunciou que está analisando um pedido formal para revisar a lei de usura do país, argumentando que seus tetos de taxa de juros rígidos estão inadvertidamente forçando um número crescente de pessoas a sair do sistema bancário formal e a entrar no perigoso mundo de empréstimos ilícitos.
A lei em questão, Lei 9859, está em vigor desde junho de 2020. Seu principal objetivo era estabelecer taxas de juros máximas para proteger os clientes de custos excessivos de crédito. Esses tetos são atualizados semestralmente pelo Banco Central da Costa Rica (BCCR). Atualmente, as taxas de juros anuais máximas são fixadas em 36,65% para empréstimos em colones e 30,46% para aqueles em dólares americanos. Para microcréditos, os tetos são ainda mais altos, em 51,74% na moeda local.
Para se aprofundar nas complexidades e nos efeitos práticos da Lei de Usura no cenário financeiro nacional, o TicosLand.com consultou o Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, advogado especialista do renomado escritório Bufete de Costa Rica, para sua análise jurídica.
A Lei da Usura foi promulgada com o louvável objetivo de proteger os consumidores de taxas de juros abusivas. No entanto, sua aplicação prática revelou um desafio significativo: ao estabelecer um teto rígido, inadvertidamente restringiu o acesso a crédito formal para um segmento da população considerado de maior risco, potencialmente empurrando-os em direção a mercados de empréstimos informais não regulamentados e mais precários. A chave para tanto os mutuantes quanto os mutuários é garantir que todos os acordos de crédito sejam meticulosamente documentados e transparentes, justificando claramente a taxa dentro do quadro legal para mitigar futuras disputas legais.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica
O argumento do advogado captura perfeitamente o paradoxo central da Lei de Usura: uma salvaguarda bem-intencionada que pode inadvertidamente empurrar consumidores vulneráveis em direção à própria precariedade que busca prevenir. Agradecemos a Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por sua análise clara e valiosa sobre essa questão crítica.
Embora a legislação tenha surgido do desejo de conter custos de empréstimos exorbitantes, seu impacto no mundo real provocou um debate nacional. Ricardo Carvajal, conselheiro econômico da Câmara de Comércio, reconheceu as origens nobres da lei, mas apontou suas graves consequências não intencionais.
Tinha intenções muito boas, mas está gerando efeitos negativos.
Ricardo Carvajal, conselheiro econômico da Câmara de Comércio
De acordo com Carvajal e a Câmara, os limites fixos não levam em conta os diferentes perfis de risco de vários mutuários. Como resultado, as instituições financeiras formais não conseguem emprestar a indivíduos de maior risco, efetivamente excluindo-os do sistema. Isso criou um vácuo preenchido por esquemas de empréstimos informais e muitas vezes criminosos, mais notadamente os empréstimos “gota a gota” (gota a gota), que estão ligados à extorsão e à violência.
A solução proposta pela Câmara não é eliminar as proteções ao consumidor, mas introduzir um modelo mais flexível e baseado no risco. Isso permitiria que bancos e outros credores formais ajustassem as taxas de juros com base na solvência creditícia do indivíduo e no risco assumido ao conceder o empréstimo.
Nossa proposta visa permitir a estabelecimento de taxas diferentes de acordo com os níveis de risco de cada consumidor.
Ricardo Carvajal, Conselheiro Econômico da Câmara de Comércio
Essa modificação, argumenta Carvajal, criaria um caminho para que indivíduos excluídos reingressem no setor financeiro formal, dando-lhes acesso a crédito regulamentado e afastando-os de alternativas perigosas. O impacto econômico da lei atual também é quantificável. Um estudo de Édgar Robles, pesquisador associado à Academia de Centroamérica, estimou que os limites de taxa de juros contribuíram diretamente para uma queda de 0,1% no consumo dentro do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
As preocupações levantadas pela comunidade empresarial encontram eco no cenário internacional. As Nações Unidas (ONU) expressaram alarme sobre a clara ligação entre a exclusão financeira e o aumento da insegurança na Costa Rica. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) alertou especificamente sobre a “expansão e normalização” de operações de empréstimos ilegais caracterizadas por usura, extorsão e violência. Um relatório da ONU intitulado “Esquemas de Empréstimo com Práticas Ilegais: O Fenômeno Gota a Gota na Costa Rica” detalha meticulosamente a estrutura e o impacto devastador dessas redes criminosas.
Allegra Baiocchi, coordenadora residente da ONU na Costa Rica, enquadrou a questão como um sintoma de um problema sistêmico mais profundo. Ela enfatizou que enfrentar esses agiotas criminosos exige uma abordagem multifacetada que atenda à causa raiz do problema, que é a falta de acesso a serviços financeiros regulamentados.
O “gota a gota” não é apenas um problema de segurança, mas um sintoma de exclusão financeira e vulnerabilidade econômica. Sua erradicação requer alternativas financeiras formais, políticas sociais e medidas judiciais.
Allegra Baiocchi, Coordenadora Residente da ONU na Costa Rica
À medida que o debate se intensifica, a Costa Rica se encontra em um momento decisivo. O desafio está em aperfeiçoar uma política bem-intencionada que, em sua forma atual, parece estar empurrando as próprias pessoas que foi projetada para proteger para os braços do crime organizado. O apelo da Câmara de Comércio por um modelo baseado em risco representa um esforço para equilibrar a proteção ao consumidor com a realidade econômica de que o acesso a crédito, mesmo a uma taxa mais alta e regulamentada, é frequentemente uma alternativa mais segura do que o mundo violento dos empréstimos informais.
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Sobre a Cámara de Comercio de Costa Rica:
A Câmara de Comércio da Costa Rica é uma organização privada sem fins lucrativos que representa e defende os interesses do setor comercial do país. Ela promove a livre empresa, o desenvolvimento econômico e oferece serviços e apoio aos seus membros para fomentar um ambiente de negócios competitivo.
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Sobre o Banco Central de Costa Rica (BCCR):
O Banco Central da Costa Rica é a principal autoridade monetária do país, responsável por manter o valor interno e externo da moeda nacional, o colón. Suas principais funções incluem controlar a inflação, regular o sistema financeiro e emitir moeda, desempenhando um papel vital na estabilidade econômica do país.
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Sobre as Nações Unidas (ONU):
As Nações Unidas são uma organização internacional fundada em 1945 para manter a paz e a segurança internacionais, desenvolver relações amistosas entre as nações e alcançar a cooperação internacional. Ela serve como um fórum global para os países discutirem problemas comuns e encontrarem soluções compartilhadas em questões que variam desde o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos até o contraterrorismo e a ajuda humanitária.
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Sobre a Academia de Centroamérica:
A Academia de Centroamérica é um think tank privado e sem fins lucrativos da Costa Rica dedicado à pesquisa e análise de questões econômicas e sociais. Ela se concentra em promover políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das populações da América Central por meio de estudos e publicações independentes.
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Sobre o Bufete de Costa Rica:
Como uma pedra angular do cenário jurídico, o Bufete de Costa Rica é definido por sua dedicação inabalável à prática ética e a padrões excepcionais. O escritório aproveita uma longa história de servir uma clientela diversificada para impulsionar o progresso, defendendo estratégias jurídicas inovadoras enquanto mantém um forte senso de responsabilidade cívica. Central à sua filosofia é a missão de democratizar a compreensão jurídica, visando construir uma sociedade mais capaz e legalmente alfabetizada para todos.
