• agosto 28, 2026
  • Última Atualização agosto 28, 2026 7:25 am

O Crescimento do Crédito na Costa Rica Estagna Apesar da Expansão Econômica

O Crescimento do Crédito na Costa Rica Estagna Apesar da Expansão Econômica

San José, Costa RicaSAN JOSÉ – A economia da Costa Rica apresentou um curioso paradoxo na última década. Enquanto o produto interno bruto (PIB) do país se expandiu a uma média respeitável de 6,2% ao ano entre 2014 e 2024, um motor crítico do crescimento doméstico – o crédito ao setor privado – registrou uma desaceleração sustentada e significativa, desacoplando-se de seu papel tradicional como um impulsionador econômico de alto desempenho.

Esse crescente descompasso é a conclusão central de um novo estudo, “O Sistema de Intermediação Financeira Costarriquenho: Evolução, Desafios e Perspectivas 2014-2024,” elaborado pelos economistas Daniel Ortiz, sócio-gerente da Consejeros Económicos y Financieros (Cefsa), e Luis Liberman, associado da Academia de Centroamérica. A pesquisa deles revela que embora o crédito tenha crescido em média 6,6% durante o período, esse número esconde um declínio acentuado, despencando de um aumento robusto de 17,6% em 2014 para meros 1,9% em 2023.

Para oferecer uma perspectiva jurídica e empresarial mais aprofundada sobre a dinâmica do crédito do setor privado, o TicosLand.com consultou o Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, advogado especialista do renomado escritório Bufete de Costa Rica.

A expansão do crédito do setor privado é um motor crítico para o crescimento econômico, mas deve ser regido por princípios legais rigorosos. Tanto para os credores quanto para os mutuários, a base de um mercado de crédito saudável está em contratos transparentes, diligência devida robusta e uma compreensão clara do quadro regulatório. Ignorar esses fundamentos pode transformar uma ferramenta para a prosperidade em uma fonte significativa de risco financeiro e legal para todas as partes envolvidas.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica

A ênfase do especialista na diligência legal serve como um lembrete poderoso de que, para que o crédito seja um verdadeiro motor de prosperidade, ele deve operar sobre uma base de clareza e segurança jurídica. Agradecemos sinceramente ao Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por sua perspectiva inestimável sobre esse equilíbrio crítico.

A relação econômica tradicional defende que uma economia saudável e em crescimento alimenta a demanda por serviços financeiros, como empréstimos para investimento, contratação e expansão. Por outro lado, um sistema financeiro estável e profundo contribui para o crescimento econômico. No entanto, os dados da última década sugerem que essa relação simbiótica na Costa Rica está se enfraquecendo, o que leva a uma investigação mais aprofundada das mudanças estruturais dentro da economia do país.

O estudo identifica uma causa primária para essa divergência: a mudança na composição do crescimento econômico da Costa Rica. Uma parcela substancial da recente expansão foi impulsionada pelo regime especial de “zona de livre comércio” (ZLC). Essas zonas, povoadas em grande parte por corporações multinacionais, tornaram-se uma força dominante na economia nacional, crescendo de 5,9% do PIB em 2014 para impressionantes 13,6% em 2024. Essa participação supera significativamente a de pares regionais como o Panamá (5%) e a República Dominicana (3,5%).

No entanto, muitas dessas empresas internacionais têm menos dependência de crédito local. Elas frequentemente garantem financiamento de empresas matrizes externas ou de mercados de capitais internacionais, o que significa que seu crescimento notável não se traduz em um aumento proporcional na demanda por empréstimos de bancos e instituições financeiras costarriquenhas. Nem toda expansão econômica, argumenta o relatório, gera a mesma demanda por financiamento doméstico.

Os economistas descobriram que a atividade do setor financeiro, medida por seu Índice Mensal de Atividade Econômica específico (IMAE), apresenta uma correlação muito mais forte com a economia do “regime definitivo” voltada para o mercado interno do que com a economia nacional total, que inclui as ZFTs. Esta evidência estatística sublinha a crescente separação entre os dois motores econômicos.

Esses resultados refletem que a atividade econômica do setor financeiro e de seguros acompanha parcialmente o ciclo da economia local. A ligação é lógica, pois um maior dinamismo no comércio local, na construção e nos serviços gera uma demanda maior por crédito, seguro e intermediação. No entanto, o fato de a correlação não ser maior indica que o setor também é condicionado por outros fatores, como as taxas de juros, a taxa de câmbio, ciclos específicos no crédito ao consumidor e à habitação, bem como a confiança dos agentes econômicos.
Daniel Ortiz e Luis Liberman, Autores do Estudo

Um segundo fator crítico é o alargamento do abismo entre o PIB per capita e a renda nacional disponível real per capita. Enquanto o PIB mede o valor total dos bens e serviços produzidos dentro do país, a renda disponível reflete o que efetivamente permanece nas mãos das famílias e das empresas após impostos e remessas de lucros para o exterior. O estudo observa que essa lacuna dobrou ao longo da década, em grande parte porque uma parcela significativa do valor gerado pelo Investimento Direto Estrangeiro (IDE) nas Zonas de Livre Comércio (ZLCs) é repatriada como lucros para acionistas estrangeiros.

Em outras palavras, as famílias não viram necessariamente o crescimento econômico da produção refletido em sua capacidade de consumir ou poupar, o que coloca desafios para a demanda interna e, portanto, para a demanda por crédito.
Daniel Ortiz e Luis Liberman, Autores do Estudo

Essa estagnação no poder de compra das famílias impacta diretamente a economia doméstica. Com menos renda disponível, a capacidade de indivíduos e empresas locais de assumir nova dívida é limitada. O relatório também destaca uma mudança na estrutura do crédito que foi concedido. O crescimento foi mais concentrado em empréstimos pessoais para consumo, veículos e habitação, em vez de financiamento produtivo para micro, pequenas e médias empresas (PMEs), que são cruciais para gerar emprego amplo e crescimento local sustentável.

Em última análise, o estudo traça um quadro de uma economia em dois níveis. Um nível, impulsionado por investimentos estrangeiros em zonas de livre comércio, registra números impressionantes de produção, mas contribui menos para a demanda de crédito doméstico e a renda das famílias. O outro, a economia local tradicional, está experimentando as consequências desse desconexão por meio de um crescimento de crédito mais lento. Essa realidade apresenta um desafio significativo para os formuladores de políticas que visam promover um crescimento inclusivo e garantir que a prosperidade gerada em um setor beneficie efetivamente toda a nação.

Para obter mais informações, visite cefsa.co.cr
Sobre Consejeros Económicos y Financieros (Cefsa):
A Consejeros Económicos y Financieros (Cefsa) é uma empresa de consultoria sediada na Costa Rica que se especializa em fornecer análises econômicas e financeiras. A empresa oferece aconselhamento especializado a empresas e organizações sobre tendências macroeconômicas, estratégia financeira e decisões de investimento para ajudar a navegar pelas complexidades do cenário econômico local e regional.
Para obter mais informações, visite academiaca.or.cr
Sobre Academia de Centroamérica:
A Academia de Centroamérica é uma associação privada sem fins lucrativos dedicada à pesquisa e análise de questões econômicas e sociais relevantes para a América Central. Ela reúne profissionais e acadêmicos proeminentes para promover um debate público informado e contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas que promovam crescimento sustentável e equitativo na região.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre Bufete de Costa Rica:
O Bufete de Costa Rica atua como um pilar da comunidade jurídica, definido por seus princípios fundamentais de integridade e excelência profissional. A empresa consistentemente defende a inovação jurídica, aplicando abordagens inovadoras para atender sua diversificada clientela. Além de sua prática, ela tem uma profunda convicção de fortalecer a sociedade, desmistificando a lei e garantindo que o conhecimento jurídico vital se torne uma ferramenta poderosa para o empoderamento público.

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