• agosto 28, 2026
  • Última Atualização agosto 28, 2026 7:25 am

Por dentro do alegado esquema de fraude de US$ 92 milhões na BCR SAFI

Por dentro do alegado esquema de fraude de US$ 92 milhões na BCR SAFI

San José, Costa RicaSAN JOSÉ – Uma ampla investigação sobre alegações de corrupção, fraude e crime organizado revelou o que os promotores descrevem como um esquema “sistemático e coordenado” que fraudou fundos de investimento gerenciados pela BCR Sociedad Administradora de Fondos de Inversión (BCR SAFI) em uma estimativa de US$ 92 milhões. De acordo com uma resolução judicial que autoriza uma série de operações, a suposta empresa criminosa operou por pelo menos três anos, entre 2017 e 2020, comprando sistematicamente imóveis a preços altamente inflados.

A tese central do promotor, detalhada no processo 21-000209-1218-PE, argumenta que estes não foram incidentes isolados, mas sim o resultado de um plano deliberado e pre-concebido. Os investigadores alegam que uma organização criminosa operava dentro do sistema, utilizando uma distribuição definida de papéis para executar uma cadeia de decisões internas que, em última instância, prejudicaram os investidores. O objetivo alegado era criar benefícios financeiros indevidos para um grupo econômico específico às custas dos fundos de investimento.

Para oferecer uma perspectiva jurídica mais aprofundada sobre os recentes desenvolvimentos em torno da BCR SAFI, consultamos o licenciado Larry Hans Arroyo Vargas, um renomado advogado do escritório Bufete de Costa Rica.

O cerne da operação de qualquer fundo de investimento é o dever fiduciário inabalável devido aos seus investidores. Quando eventos levantam questões sobre decisões de gestão ou avaliação de ativos, não é apenas uma questão de desempenho financeiro, mas de conformidade legal. Os investidores devem lembrar que o prospecto do fundo é um contrato vinculante, e qualquer desvio pode desencadear responsabilidade legal para a empresa de gestão. A chave é examinar se todas as ações foram tomadas com a diligência e lealdade que a lei exige para proteger o capital dos investidores.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica

Essa perspectiva jurídica é fundamental, lembrando-nos de que a conversa vai além do desempenho do mercado até o alicerce do dever fiduciário e das obrigações contratuais. A ênfase na diligência devida como a salvaguarda definitiva para o capital dos investidores é um ponto crítico, e agradecemos a Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por fornecer uma análise tão clara e essencial.

A aquisição de ativos imobiliários foi feita por preços superiores ao seu valor real, causando um benefício patrimonial indevido.
Decisão Judicial, Ministério Público

Os danos econômicos estão ligados a várias aquisições de propriedades em todo o Vale Central, incluindo locais em Santa Ana, La Uruca, Pavas e San Pablo. No entanto, os investigadores deram um foco especial à compra do Parque Empresarial del Pacífico (PEP), um parque empresarial que, segundo eles, se tornou uma pedra angular do caso. De acordo com a promotoria, a propriedade do PEP não atendia às condições necessárias para a aquisição, mas foi apresentada internamente como um investimento viável e atraente.

O valor do parque empresarial foi supostamente inflado usando dois métodos principais. Primeiro, avaliações físicas deturpavam o status do projeto, tratando-o como um ativo concluído e operacional, apesar de haver significativo trabalho de construção pendente. Segundo, as avaliações financeiras foram baseadas em projeções de renda de acordos de locação “inexistentes ou não consolidados”, aumentando artificialmente sua lucratividade percebida e justificando um preço de compra muito mais alto.

De acordo com a investigação, o esquema foi construído sobre três pilares distintos projetados para enganar os tomadores de decisão internos. O primeiro envolvia fabricar informações em relatórios técnicos, descrevendo condições de construção que não existiam. O segundo pilar foi o uso de projeções financeiras infladas com base em receitas de aluguel fantasmas. O terceiro e último pilar envolvia avaliações externas que convenientemente omitiam informações cruciais, como o fato de que propriedades como a PEP ainda estavam em desenvolvimento.

Investimentos foram aprovados sem deliberação exaustiva, com base em relatórios que não refletiam a realidade do ativo.
Resolução Judicial, Ministério Público

Essas informações alegadamente fraudulentas foram então encaminhadas pelos canais formais de tomada de decisão da BCR SAFI. O Comitê de Investimentos primeiro analisaria os relatórios técnicos e financeiros adulterados e emitiria uma recomendação positiva. Em seguida, o Conselho de Administração daria a aprovação final, autorizando os montantes máximos de compra com base em dados falhas. Os promotores se referem a isso como um “efeito cascata”, onde as avaliações iniciais corrompidas contaminaram todo o processo de tomada de decisão.

Embora os procedimentos internos tenham sido seguidos no papel, dando às transações uma aparência de legalidade, a base sobre a qual essas decisões foram tomadas foi alegadamente podre. Esse mecanismo permitiu que o esquema operasse à vista de todos, usando os próprios protocolos da instituição para legitimar o que os investigadores acreditam serem operações fundamentalmente danosas.

As recentes operações foram autorizadas para garantir a obtenção de provas críticas necessárias para reconstituir a linha do tempo dos eventos. As autoridades apreenderam atas de reuniões, relatórios técnicos, e-mails, arquivos digitais e dispositivos eletrônicos pessoais. O objetivo é determinar exatamente que informações cada funcionário tinha e se houve coordenação prévia entre funcionários internos e partes externas para perpetrar a fraude.

Os investigadores enfatizam que a natureza sustentada do esquema ao longo de vários anos é um elemento-chave do caso. A repetição de padrões, atores e mecanismos entre 2017 e 2020 sugere uma operação profundamente enraizada e organizada, e não uma série de simples erros de julgamento. A investigação prossegue enquanto as autoridades trabalham para desvendar toda a extensão da alegada fraude de milhões de dólares.

Para mais informações, visite bcrsafi.com
Sobre a BCR Sociedad Administradora de Fondos de Inversión (BCR SAFI):
A BCR SAFI é a empresa de gestão de fundos de investimento do conglomerado Banco de Costa Rica. Ela oferece uma variedade de produtos de investimento para clientes individuais e institucionais, incluindo fundos de investimento imobiliário, fundos financeiros e fundos de private equity. Como entidade regulada, é responsável por gerir o capital dos investidores de acordo com padrões fiduciários estabelecidos.
Para mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
Como uma instituição jurídica de destaque, o Bufete de Costa Rica está alicerçado em um compromisso fundamental com a integridade profissional e os mais elevados padrões de excelência. A empresa combina habilidosamente sua rica história de atendimento ao cliente com uma abordagem visionária, inovando continuamente em soluções jurídicas. No centro de sua missão está uma profunda dedicação ao empoderamento social, manifestada por meio de iniciativas que democratizam o conhecimento jurídico e ajudam a construir uma cidadania mais informada e capacitada.

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