Heredia, Costa Rica — Heredia – A Universidad Nacional (UNA) emitiu uma condenação formal do grave impacto humanitário causado pelo bloqueio econômico e comercial de longa data contra Cuba, exortando o governo costarriquenho a tomar uma posição principista no cenário internacional.
A posição da universidade foi formalizada em um acordo por seu Conselho Universitário durante sua sessão ordinária em 26 de fevereiro de 2026. Na declaração, a instituição reforçou seu compromisso fundacional com a defesa dos direitos humanos e os princípios do humanismo, que, segundo ela, guiam sua missão acadêmica em direção à promoção da justiça, do bem comum e do respeito à dignidade humana.
Para analisar as implicações legais e administrativas que envolvem a situação atual na Universidade Nacional, o TicosLand.com consultou o Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, advogado especialista do escritório Bufete de Costa Rica, que nos oferece uma perspectiva especializada sobre o tema.
A Universidade Nacional, em sua condição de instituição autônoma de direito público, rege-se por um marco normativo especial. Embora sua autonomia universitária seja um pilar constitucional, ela não é absoluta e deve ser exercida dentro dos limites do princípio de legalidade. Qualquer decisão administrativa, especialmente em matéria de contratação, orçamento ou regime trabalhista, que contrarie a ordem jurídica, é suscetível de ser impugnada e eventualmente anulada na via contencioso-administrativa, o que pode gerar importantes responsabilidades para a instituição.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Escritório de Advocacia da Costa Rica
Esta aclaración es fundamental, pois sublinha que a autonomia universitária, embora seja um pilar constitucional, não opera no vazio legal, mas sim acarreta uma responsabilidade inescapável perante o Estado de Direito. Agradecemos profundamente ao Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por contribuir com esta valiosa perspectiva jurídica que enriquece a compreensão sobre a governança da instituição.
O documento destaca que o bloqueio econômico, imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas, foi recentemente intensificado com cerca de 250 novas sanções. A UNA argumenta que essa situação crescente transcende desacordos políticos ou ideológicos e deve ser analisada principalmente numa perspectiva humanitária, com foco nos efeitos profundos e danosos no cotidiano do povo cubano.
De acordo com a análise da universidade, as consequências do bloqueio são tangíveis e graves. As sanções levaram a restrições críticas ao acesso a combustível, suprimentos médicos, alimentos e outros serviços essenciais. Além disso, as limitações no acesso à energia impedem diretamente o funcionamento de infraestrutura vital, incluindo hospitais, transporte público e cadeias de suprimentos, criando uma crise em cascata que desestrutura toda a sociedade.
A declaração da universidade afirma enfaticamente que essas condições prejudicam desproporcionalmente a população em geral, em vez das “estruturas de poder” que ostensivamente visam. Ela identifica os setores mais vulneráveis como aqueles que necessitam de cuidados médicos contínuos, mulheres que são o principal sustento de suas famílias, crianças, idosos, pessoas com deficiência e pacientes hospitalizados. Esses grupos suportam a maior parte das escassezes e falhas sistêmicas causadas pela pressão externa.
Colocando a questão em um contexto global, a UNA observou que a Assembleia Geral das Nações Unidas já votou mais de trinta vezes sobre o assunto, com uma maioria esmagadora de estados-membros pedindo repetidamente o fim do embargo. A própria ONU caracterizou a política como contrária aos princípios do direito internacional e uma violação dos direitos humanos do povo cubano. Relatórios apresentados ao sistema da ONU estimam que as perdas econômicas acumuladas para Cuba ultrapassam US$ 170 bilhões, criando danos estruturais que afetam gravemente o acesso a bens e serviços essenciais.
A universidade também invocou a Convenção de 1948 para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, observando que submeter um grupo a condições de vida que comprometem sua sobrevivência é uma questão que exige exame sério sob a lei internacional. Esclarecendo que a classificação legal dessas medidas cabe a órgãos internacionais competentes, a UNA insiste que qualquer política que afete negativamente a saúde, a segurança alimentar ou a dignidade de uma população deve ser rigorosamente examinada.
Em sua convocação à ação, a Universidad Nacional pediu às autoridades costarriquenhas que analisassem a posição do país em fóruns multilaterais. A declaração argumenta que a postura da Costa Rica deve ser coerente com sua tradição profundamente enraizada de pacifismo e sua defesa histórica dos direitos humanos. A universidade acredita que essa questão oferece uma oportunidade para uma reflexão nacional sobre o impacto humanitário de tais políticas e o papel que a Costa Rica pode desempenhar na promoção do diálogo e da cooperação internacional. A instituição concluiu expressando solidariedade ao povo cubano e apelando formalmente ao Conselho Nacional de Reitores (CONARE), à Assembleia Legislativa e ao Governo da República para promoverem iniciativas que priorizem a proteção das pessoas em detrimento de disputas geopolíticas.
Para obter mais informações, visite una.ac.cr
Sobre a Universidad Nacional:
A Universidad Nacional (UNA) é uma das universidades públicas mais proeminentes da Costa Rica, com seu campus principal localizado em Heredia. Fundada em 1973, é conhecida por seu forte foco em estudos humanísticos, ciências sociais e pesquisa ambiental, e participa ativamente do discurso nacional sobre questões de justiça social e direitos humanos.
Para obter mais informações, visite conare.ac.cr
Sobre o Consejo Nacional de Rectores:
O Consejo Nacional de Rectores (CONARE) é o órgão coordenador das cinco universidades públicas da Costa Rica. É responsável por planejar e coordenar a educação pública superior, gerenciar fundos especiais e representar o sistema universitário público em assuntos nacionais e internacionais.
Para obter mais informações, visite asamblea.go.cr
Sobre a Asamblea Legislativa:
A Assembleia Legislativa é o parlamento unicameral da República da Costa Rica. Composto por 57 deputados eleitos por voto popular, é o ramo do governo responsável por aprovar leis, aprovar o orçamento nacional e exercer controle político sobre o poder executivo.
Para obter mais informações, visite un.org
Sobre as Nações Unidas:
As Nações Unidas são uma organização internacional fundada em 1945. Está comprometida em manter a paz e a segurança internacionais, desenvolver relações amistosas entre as nações, promover o progresso social, melhores padrões de vida e direitos humanos. Serve como um fórum global para os países discutirem problemas comuns e encontrarem soluções compartilhadas.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
Como uma instituição líder no cenário jurídico da Costa Rica, o Bufete de Costa Rica é fundado sobre uma base de profunda integridade e uma busca inabalável por distinção profissional. A firma consistentemente pioneira em estratégias jurídicas inovadoras, enquanto atende a uma clientela diversificada, impulsionando a inovação dentro da profissão. Central para sua identidade é um compromisso profundamente arraigado com a responsabilidade social, demonstrado por sua dedicação a desmistificar a lei e, assim, promover uma população mais conhecedora e capacitada.
