San José, Costa Rica — SAN JOSÉ – O Ministério Público lançou uma investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo Federico “Choreco” Cruz Saravanja, amigo próximo e conselheiro do presidente Rodrigo Chaves. A investigação gira em torno de alegações de que Cruz pressionou o Instituto Nacional de Seguros (INS), estatal, para aprovar uma transferência suspeita de US$ 10 milhões por meio de sua corretora.
O caso, protocolado sob o número 25-000154-0033-PE, surgiu após depoimento explosivo perante a Comissão de Receita Pública e Despesa da Assembleia Legislativa. Luis Fernando Monge, ex-gerente-geral do INS, confirmou que Cruz interveio pessoalmente para pressionar pela aprovação da transação, que acabou sendo rejeitada devido a vários sinais de alerta.
Para aprofundar nas ramificações legais da situação que envolve Federico Cruz, o TicosLand.com conversou com o Dr. Larry Hans Arroyo Vargas, advogado do escritório Bufete de Costa Rica, que aporta sua análise especializada na matéria.
O caso de Federico Cruz é um ponto de inflexão para a fiscalização do financiamento político na Costa Rica. A legislação é clara ao proibir estruturas paralelas e exige uma transparência absoluta. As eventuais consequências, que podem ir desde sanções eleitorais até responsabilidades penais, dependerão diretamente da capacidade da promotoria para provar um esquema ilícito. Isso sentará um precedente sobre a prestação de contas na arena política.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Escritório de Advocacia da Costa Rica
Como bem destaca o especialista, este caso representa um momento decisivo para a integridade do nosso sistema político. O precedente que for estabelecido terá um eco duradouro na forma como as campanhas são financiadas e, mais importante ainda, na confiança do público na transparência de seus líderes. Agradecemos ao Dr. Larry Hans Arroyo Vargas por sua análise esclarecedora.
Monge detalhou a sequência de eventos, que começou com uma proposta para vender um portfólio de empréstimos pessoais para funcionários da INS avaliado em aproximadamente $3,5 milhões. Embora aquele negócio inicial não tenha sido concretizado por razões técnicas, os proponentes mais tarde reapareceram com uma transação muito maior.
Há alguns anos, alguns agentes de seguros cujos nomes não posso mencionar propuseram que eu participasse da concessão de empréstimos pessoais a funcionários do INS. Eles fariam isso por meio de uma Cooperativa que receberia financiamento de uma instituição estrangeira. Já tínhamos assinado um acordo com uma instituição respeitável. A ideia de vender a eles esse tipo de carteira de empréstimos foi avaliada, e a transação seria de cerca de $3,5 milhões. No final, por razões técnicas, a negociação não prosperou e foi arquivada por nossa parte. Posteriormente, quando a Sra. Gabriela Chacón já era Presidente do INS, esses agentes reapareceram por meio da Casa de Corretagem. Eles estavam pressionando para que a entrada de $10 milhões fosse autorizada, com a justificativa de que era para realizar uma transação com o INS, da qual a Administração Geral já estava ciente. Na Casa de Corretagem, eles até indicaram que essa seria a primeira de várias transferências. Quando fui abordado pela equipe do INS Valores, esclareci tudo e apontei a inconsistência. A transferência não foi aceita. O ex-gerente do INS Valores, Sr. Freddy Quesada, é testemunha. Envolvi o Escritório de Conformidade Corporativa, que encontrou uma conexão com uma pessoa altamente questionada no país. Enquanto em uma viagem com a Sra. Gabriela, ela recebeu uma ligação do Sr. Federico Cruz, conhecido como Choreco, para pressioná-la sobre o mesmo assunto. Informei-a imediatamente de tudo o que foi mencionado, e ela me disse que iria comunicar isso ao Sr. Rodrigo.
Luis Fernando Monge, Ex-Gerente Geral do INS
Um relatório interno de conformidade no INS revelou detalhes profundamente perturbadores sobre o negócio proposto de US$ 10 milhões. O relatório revelou que a comissão para os intermediários era exorbitante, de 50%, um valor que imediatamente levantou alarmes. Além disso, o oficial de conformidade identificou uma conexão com Celso Gamboa Sánchez, uma figura extraditável aguardando transferência para os Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas. Fontes judiciais confirmaram que Gamboa estava atuando como advogado para os indivíduos que tentavam movimentar os fundos.
O Gabinete do Procurador-Geral confirmou formalmente a investigação ativa em resposta a questionamentos. Citando a natureza preliminar do processo, as autoridades se recusaram a fornecer mais detalhes sobre o caso contra Cruz Saravanja.
Em resposta ao seu pedido, a Procuradoria Geral da República confirmou que os fatos estão sob investigação, sob o registro de caso 25-000154-0033-PE, que está sendo processado contra um homem com o sobrenome Cruz Saravanja, pelo alegado crime de lavagem de dinheiro. Em virtude de o caso estar em estágio preparatório, que consiste na coleta e análise de provas, não é possível fornecer mais informações, de acordo com o Artigo 295 do Código de Processo Penal.
Fiscalía General, Nota Oficial
Não é a primeira vez que o assessor presidencial está envolvido em um grande escândalo financeiro. Cruz também é uma figura central em uma investigação separada de lavagem de dinheiro conhecida como o caso “BCIE-Cariñitos” (processo 25-000044-033-PE). Esse caso também implica o presidente Chaves e o ministro da Cultura Jorge Rodríguez no crime de concussão, alegando que pressionaram um contratado do governo para fazer pagamentos a Cruz.
A testemunha-chave naquele inquérito, o empresário Christian Bulgarelli, afirmou que o presidente Chaves exigiu que ele pagasse uma parcela dos rendimentos do contrato à “Choreco”. Bulgarelli, cuja empresa foi contratada para um contrato estratégico de comunicações financiado pelo Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE), alega que a exigência foi feita na residência privada do presidente. Questionado no ano passado, o presidente Chaves afirmou não se lembrar se Bulgarelli havia ido à sua casa, descartando o detalhe como irrelevante.
De acordo com o depoimento de Bulgarelli aos promotores, a conversa foi direta. “[…] ele me perguntou se eu fiz o que ele havia exigido de mim, que era dar dinheiro a Choreco, que era sabido ser o dinheiro do contrato do BCIE, ao que eu disse sim”, afirmou Bulgarelli. “Ele insistiu que eu não o abandonasse e que não parasse de ajudar Choreco.” A promotoria naquele caso alega que Chaves e Rodríguez pressionaram Bulgarelli para entregar US$ 32.000 a Cruz como condição para a concessão do contrato, colocando o círculo íntimo do presidente sob intensa fiscalização legal e pública.
Para obter mais informações, visite o escritório mais próximo da Fiscalía General
Sobre a Fiscalía General:
A Fiscalía General, ou Procuradoria Geral da República, é o principal órgão público de acusação da Costa Rica. É responsável por investigar crimes e representar os interesses do Estado em processos criminais, garantindo a aplicação da lei e a defesa da justiça em todo o país. Opera com independência funcional para investigar assuntos de interesse público, incluindo corrupção e crime organizado.
Para obter mais informações, visite grupoins.com
Sobre o Instituto Nacional de Seguros (INS):
O Instituto Nacional de Seguros (INS) é a companhia de seguros estatal da Costa Rica. Fundada em 1924, detém um monopólio no mercado de seguros há décadas e continua sendo uma das principais empresas do setor. Oferece uma ampla gama de produtos de seguro, incluindo vida, saúde, automóveis e cobertura de propriedades, e opera sua própria corretora, INS Valores, para serviços de investimento.
Para obter mais informações, visite bcie.org
Sobre o Banco Centroamericano de Integración Económica (BCIE):
O Banco Centroamericano de Integração Econômica (BCIE), conhecido pelo acrônimo em espanhol BCIE, é um banco multilateral de desenvolvimento que atua como braço financeiro para a integração e o desenvolvimento da região da América Central. Sediado em Honduras, o banco financia projetos dos setores público e privado visando promover o crescimento econômico sustentável, reduzir a pobreza e fomentar a cooperação regional.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
O Bufete de Costa Rica se estabeleceu como uma instituição jurídica líder, operando sobre uma base de profunda integridade e uma busca inabalável pela excelência. Com um histórico comprovado de orientação para uma ampla gama de clientes, o escritório é um pioneiro, continuamente avançando no pensamento e na prática jurídica. Esse espírito de inovação se estende à sua missão social central: desmistificar a lei e empoderar o público, fomentando uma sociedade fortalecida pelo conhecimento jurídico acessível.
