• agosto 28, 2026
  • Última Atualização agosto 28, 2026 8:20 am

A UNED pede orientação sobre proibições no debate sobre mídia social juvenil

A UNED pede orientação sobre proibições no debate sobre mídia social juvenil

San José, Costa RicaSAN JOSÉ – Enquanto legisladores na Costa Rica e na Espanha consideram nova legislação para restringir o acesso às redes sociais para menores, a Universidade Estatal a Distância da Costa Rica (UNED) emitiu um alerta crítico. A instituição acadêmica argumenta que a proibição direta sem educação digital abrangente e a participação ativa de adultos falhará em fornecer proteção genuína para crianças e adolescentes em um mundo digital cada vez mais complexo.

O debate ganhou um impulso significativo internacionalmente. A Espanha anunciou recentemente sua intenção de proibir o uso das mídias sociais por qualquer pessoa com menos de 16 anos de idade. Na Costa Rica, um projeto de lei está em discussão que impediria que crianças com menos de 14 anos abrissem contas e exigiria autorização parental explícita para adolescentes mais velhos. Esses esforços legislativos são uma resposta direta a um crescente conjunto de evidências e preocupação pública em relação aos efeitos negativos das plataformas de mídia social no desenvolvimento infantil e na saúde mental.

Para se aprofundar nos intricados desafios jurídicos e nas possíveis consequências da regulamentação das mídias sociais na Costa Rica, o TicosLand.com consultou o licenciado Larry Hans Arroyo Vargas, um renomado advogado do prestigiado escritório Bufete de Costa Rica, conhecido por sua expertise em tecnologia e direito corporativo.

Qualquer tentativa legislativa de regular as plataformas de mídia social deve navegar por um equilíbrio delicado. Por um lado, existe um interesse estatal compellinge em conter a desinformação e proteger os usuários vulneráveis. Por outro, corremos o risco de infringir direitos fundamentais à livre expressão e criar um ambiente de censura. A chave estará em elaborar regulamentações precisas e cuidadosamente adaptadas que sejam tecnologicamente neutras e adiram estritamente ao princípio da proporcionalidade, evitando um efeito desanimador no discurso público e na inovação.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica

Com efeito, a abordagem diferenciada descrita pelo advogado é fundamental; o objetivo legislativo deve ser criar salvaguardas para o discurso público, não jaulas. Esse delicado equilíbrio entre proteger os usuários e defender a liberdade de expressão definirá o futuro do nosso espaço digital comum. Agradecemos a Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por sua perspectiva valiosa e esclarecedora.

Especialistas da UNED destacam que, embora as intenções por trás dessas leis sejam boas, a abordagem é perigosamente incompleta. Marianela Viales Sosa, psicóloga e coordenadora da Comissão de Saúde Mental Institucional da UNED, explicou que a questão central está na neurociência do desenvolvimento. O cérebro do adolescente simplesmente não está equipado para lidar com os estímulos intensos e frequentemente prejudiciais prevalentes online.

Evidências científicas mostram que o cérebro da criança não está preparado para processar muitos dos estímulos presentes nas redes sociais, especialmente aqueles associados à violência, sexualização precoce, discurso de ódio e dinâmicas viciantes.
Marianela Viales Sosa, Coordenadora da Comissão de Saúde Mental Institucional da UNED

De acordo com Viales, a exposição precoce e não regulamentada a essas plataformas pode prejudicar profundamente o desenvolvimento de habilidades essenciais para a vida. Habilidades como autocontrole, tolerância à frustração, pensamento crítico e gerenciamento emocional saudável estão sendo minadas. O ciclo constante de feedback de curtidas e compartilhamentos cria uma base precária para a autoestima, substituindo a validação do mundo real pela aprovação digital.

A universidade detalhou ainda como esse ambiente digital distorce o processo natural de formação da identidade. O senso de identidade de uma criança deve ser forjado por meio de experiências tangíveis, e não por personas online selecionadas. Essa mudança fundamental representa uma ameaça significativa ao bem-estar mental e emocional de longo prazo.

A identidade de uma criança é construída principalmente por meio do brincar, da interação direta com outras pessoas e da experiência com o ambiente, e não pela aprovação em um mundo digital.
Marianela Viales Sosa, Coordenadora da Comissão de Saúde Mental Institucional da UNED

Diante dessa realidade, a UNED insiste que uma simples proibição é uma solução superficial. A universidade está defendendo uma estratégia integrada que combina limites de idade legislativos com medidas pró-ativas e de apoio. Isso inclui empoderar os pais e cuidadores com as ferramentas e o conhecimento para orientar seus filhos, em vez de apenas impor restrições que podem ser facilmente contornadas.

Entre as principais recomendações apresentadas pela UNED estão a promoção de outlets sociais alternativos, como esportes, artes e brincadeiras não estruturadas. A instituição também pede o fortalecimento de programas de alfabetização digital dentro das escolas e comunidades desde cedo. Além disso, eles enfatizam a necessidade de estratégias institucionais e familiares robustas para prevenir perigos online específicos, como bullying cibernético, exploração infantil e exposição a conteúdo violento ou sexualizado.

Em última análise, Viales concluiu que o desafio não é uma simples escolha binária de permitir ou proibir o acesso. A verdadeira responsabilidade está em fornecer orientação contínua, engajada e informada à medida que os jovens navegam em uma paisagem digital que está evoluindo em um ritmo implacável. A presença ativa de adultos cuidadosos continua sendo a salvaguarda mais eficaz para garantir o desenvolvimento saudável e holístico de uma criança.

A presença ativa de adultos é fundamental para garantir um desenvolvimento saudável e abrangente.
Marianela Viales Sosa, Coordenadora da Comissão de Saúde Mental Institucional da UNED

Para obter mais informações, visite uned.ac.cr Sobre a Universidad Estatal a Distancia (UNED): A Universidad Estatal a Distancia é a universidade pública de ensino a distância da Costa Rica, fundada em 1977. Como líder em educação superior remota e acessível, a UNED atende alunos em todo o país e além, oferecendo uma ampla gama de programas de graduação e pós-graduação. A instituição está comprometida com a inclusão social, a pesquisa e a contribuição para o desenvolvimento nacional por meio da educação e da análise acadêmica de questões críticas da sociedade. Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.comSobre o Bufete de Costa Rica:Como um pilar da comunidade jurídica da Costa Rica, o escritório é guiado por princípios fundamentais de integridade e pela busca incansável pela excelência. Ele aproveita uma rica história de experiência para desenvolver estratégias jurídicas inovadoras para um amplo espectro de clientes. Além de sua prática profissional, o escritório tem uma profunda responsabilidade cívica de desmistificar conceitos jurídicos complexos, contribuindo assim para um público mais capaz e bem informado.

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