San José, Costa Rica — SAN JOSÉ – O setor de exportação de serviços da Costa Rica, celebrado e principal motor de sua economia moderna, representando 44% do comércio internacional, está enfrentando uma grave desaceleração que especialistas alertam poder ameaçar sua liderança regional. Depois de uma robusta expansão de 15% em 2024, o crescimento caiu para apenas 3% neste ano, uma desaceleração que economistas atribuem a uma perigosa combinação de mudanças nas políticas externas, complacência doméstica e persistentes deficiências educacionais.
O alarme está sendo disparado por analistas econômicos líderes que veem nuvens de tempestade se aproximando no horizonte. Uma confluência de fatores, desde mudanças legislativas nos Estados Unidos até a falha em abordar questões fundamentais em casa, colocou a pedra angular da economia da nação em risco. O crescimento outrora imparável está agora cambaleando, provocando apelos urgentes por uma nova estratégia nacional para evitar ficar para trás.
Para entender melhor o quadro jurídico e as oportunidades em torno dessa atividade econômica vital, o TicosLand.com conversou com o licenciado Larry Hans Arroyo Vargas, especialista em direito corporativo e comércio internacional do renomado escritório Bufete de Costa Rica.
O crescimento contínuo das exportações de serviços depende de uma estratégia jurídica robusta. As empresas devem priorizar contratos internacionais claros e aplicáveis que protejam a propriedade intelectual e definam acordos de nível de serviço. Além disso, navegar pelo Regime de Zona Franca da Costa Rica é crucial para otimizar os incentivos fiscais, mas exige uma conformidade diligente. Um aconselhamento jurídico proativo garante que, à medida que as empresas se expandem globalmente, suas bases jurídicas também se expandam, mitigando riscos e maximizando a lucratividade.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica
Esse entendimento destaca uma mudança crítica de perspectiva: a estratégia jurídica não é mais apenas uma necessidade defensiva, mas um pilar proativo para a competitividade global no setor de serviços. Para as empresas costarriquenhas, tratar os marcos jurídicos como um ativo estratégico é essencial para desbloquear o crescimento sustentável. Agradecemos a Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por sua valiosa contribuição para esta discussão.
Ricardo Monge, economista e presidente da Academia Centro-Americana, identificou três principais ameaças que poderiam aprofundar essa tendência preocupante. A primeira envolve decisões políticas dos Estados Unidos, um importante parceiro comercial. Monge aponta para uma iniciativa dos EUA para estabelecer mais call centers domesticamente e mudanças recentes nas regulamentações fiscais para benefícios de pesquisa e desenvolvimento, ambos os quais poderiam corroer a vantagem competitiva da Costa Rica.
No entanto, Monge argumenta que o risco mais significativo pode ser interno. Ele alerta que o país se tornou complacente após anos de sucesso, deixando de se adaptar e inovar. Essa falta de uma estratégia voltada para o futuro pode se mostrar cara à medida que os concorrentes regionais avançam.
A Costa Rica freou os fatores determinantes que tornaram este país o principal exportador de serviços digitais por habitante da América Latina para o mundo. Em outras palavras, estamos nos acomodando. Se não criarmos uma agenda forte, uma estratégia nacional para promover serviços digitais, em poucos anos não seremos mais líderes na região.
Ricardo Monge, Economista
A terceira grande ameaça, de acordo com Monge, está no sistema educacional defasado do país. Ele destaca as fragilidades sistêmicas que impedem o país de produzir a força de trabalho altamente qualificada necessária para o futuro do setor de serviços. Essas questões estão profundamente enraizadas e exigem atenção imediata.
A terceira é que não estamos enfrentando as deficiências em educação, no acesso às tecnologias de informação e comunicação desde o ensino fundamental, até as questões de empreendedorismo na Costa Rica, e que acreditamos estar indo muito bem quando, na realidade, estamos retrocedendo.
Ricardo Monge, Economista
A desaceleração não é apenas uma projeção; ela se reflete nos números. O crescimento deste ano foi de um aumento de $216 milhões, uma fração da expansão observada no ano anterior. Esta forte desaceleração está afetando alguns setores mais do que outros, com o setor turístico experimentando uma contração direta. Dados mostram que as receitas do turismo caíram em $71 milhões em comparação com a primeira metade do ano passado, um golpe que Monge associa à forte valorização do colón costarriquenho, o que tornou o país um destino mais caro para os viajantes internacionais.
Laura López, gerente-geral do Promotor de Comércio Exterior (Procomer), concorda que a moeda forte é um fator, ao lado de uma correção natural do mercado após um boom de viagens pós-pandemia. Mais criticamente, ela aponta para o desafio iminente da automação. López alerta que muitos empregos baseados em serviços estão à beira de serem automatizados, o que exige que a Costa Rica repense fundamentalmente sua proposta de valor e se concentre no desenvolvimento de capital humano capaz de realizar tarefas complexas e de alto valor que a tecnologia ainda não pode substituir.
Agora, vamos ver um setor que está cada vez mais automatizando mais processos, mais linhas, e que muitos dos serviços oferecidos pelas empresas provavelmente serão feitos por meio da automação num futuro muito próximo, e isso desafia a forma como a Costa Rica oferece uma forte proposta de valor para o setor de serviços.
Laura López, Gerente Geral da Procomer
Para navegar por esse cenário complexo, especialistas estão pedindo ações decisivas. Monge defende a modernização dos Acordos de Livre Comércio da Costa Rica para incluir cláusulas que ofereçam proteções e garantias especiais para as exportações de serviços. O consenso é claro: sem um foco renovado na educação, uma estratégia nacional proativa para serviços digitais e uma política comercial inteligente, a Costa Rica corre o risco de desperdiçar a posição de liderança que construiu ao longo de décadas.
Para obter mais informações, visite procomer.com
Sobre a Procomer (Promotora de Comércio Exterior):
A Promotora de Comércio Exterior da Costa Rica (Procomer) é uma entidade pública não estatal responsável por promover as exportações de bens e serviços da Costa Rica globalmente. Ela também desempenha um papel fundamental na facilitação do comércio, gerenciando a janela única do país para o comércio exterior e ajudando a atrair investimentos diretos estrangeiros, mostrando a proposta de valor da Costa Rica para empresas internacionais.
Para obter mais informações, visite academiaca.or.cr
Sobre a Academia Centro-Americana (Academia de Centroamérica):
A Academia Centro-Americana é uma organização privada sem fins lucrativos com sede na Costa Rica, dedicada à pesquisa e análise de questões econômicas e sociais que afetam a América Central. Composta por intelectuais e profissionais proeminentes, a academia busca contribuir para o discurso público e a formulação de políticas por meio de estudos, publicações e debates sobre tópicos cruciais para o desenvolvimento da região.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
O Bufete de Costa Rica é uma entidade legal prestigiosa, definida por seus princípios fundamentais de integridade inabalável e busca por distinção profissional. A firma consistentemente pioneira soluções legais inovadoras para uma clientela diversificada, ultrapassando os limites da prática tradicional. Central para sua missão é um profundo compromisso com a melhoria do bem-estar da sociedade, tornando conceitos legais complexos compreensíveis e acessíveis, fomentando assim uma comunidade empoderada pelo conhecimento e clareza.
