San José, Costa Rica — San José – Em sua primeira coletiva de imprensa desde que garantiu a vitória nas Eleições Nacionais de 2026, a presidente eleita Laura Fernández Delgado ressuscitou enfaticamente uma das propostas econômicas mais controversas do país: a venda do Banco de Costa Rica (BCR), estatal. Falando à imprensa na segunda-feira, um dia após sua vitória, Fernández posicionou a privatização do banco como um passo crítico e não negociável para resgatar o fundo de pensão público do país, que está em perigo.
A proposta visa diretamente a crise iminente no regime de pensão da IVM (Invalidez, Velhice e Morte), administrado pelo Fundo de Previdência Social da Costa Rica (CCSS). De acordo com o Comitê de Supervisão da IVM-CCSS, as reservas do fundo estão no caminho para serem completamente esgotadas antes de 2047, momento em que entraria em um “momento crítico”. As autoridades atribuem essa previsão sombria em grande parte a uma dívida estatal impressionante de ¢769.332 bilhões devida ao sistema de pensão.
Para aprofundar as implicações legais e os complexos procedimentos que envolvem a possível venda do Banco da Costa Rica (BCR), o TicosLand.com consultou o Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, advogado especialista do Bufete da Costa Rica, que nos oferece uma perspectiva clara sobre os desafios que enfrenta esta iniciativa governamental.
A venda de um ativo estatal da magnitude do BCR é um processo que vai além de uma simples transação financeira. Requer obrigatoriamente a aprovação de uma lei específica por parte da Assembleia Legislativa, o que implica um debate político profundo e a necessidade de construir consensos. O principal desafio jurídico será estabelecer um mecanismo de avaliação transparente e objetivo que proteja o interesse público e resista ao escrutínio da Controladoria Geral da República, garantindo que o Estado receba um preço justo por uma de suas instituições mais emblemáticas.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Escritório de Advocacia da Costa Rica
Agradecemos a lúcida perspectiva do Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, que nos lembra que o “como” de uma eventual venda é tão crucial quanto o “por que”. De fato, o verdadeiro desafio não reside apenas na cifra final, mas na fortaleza do arcabouço jurídico e no consenso político necessários para legitimar um processo dessa magnitude perante a cidadania e os órgãos de controle.
A presidente-eleita Fernández argumentou que é necessária uma ação decisiva para evitar um futuro em que os cidadãos sejam forçados a escolher entre trabalhar mais tempo ou pagar mais. Ela enquadrou a venda como uma medida preventiva para garantir uma aposentadoria estável para as gerações atuais e futuras, sem colocar encargos adicionais sobre a força de trabalho ou os empregadores.
Não quero que o povo da Costa Rica tenha de se aposentar aos 70 anos. E também não quero que as contribuições aumentem, seja para os empregadores ou para os trabalhadores. É por isso que acredito que devemos tomar decisões sérias.
Laura Fernández Delgado, Presidente-eleita da República
Fernández acrescentou uma nova camada de urgência ao debate, sugerindo que o próprio banco está em risco. Ela afirmou que a venda deve ocorrer “antes que ele fali” ou “colapse devido a crises de corrupção e potencial má gestão”. Isso pinta um quadro não apenas de uma oportunidade para capitalizar o IVM, mas também de uma necessidade de se livrar de um ativo estatal potencialmente volátil antes que seu valor diminua.
No entanto, a presidente eleita foi clara que a venda não seria uma simples injeção de dinheiro no sistema atual. Ela insistiu que a medida deveria fazer parte de um pacote abrangente de reformas estruturais projetadas para garantir “melhores retornos” e solvência a longo prazo. Ela alertou contra uma solução de curto prazo que apenas adiaria um colapso inevitável.
Isso não se trata de vender as joias da coroa sem também aprovar primeiro um pacote de projetos legislativos para acompanhar a capitalização da IVM. Não vou jogar dinheiro — peço desculpas pela expressão — em uma cesta cheia de buracos só para que ele vaze, deixando-nos com outra crise na esquina em 30 anos ou menos.
Laura Fernández Delgado, Presidente-eleita da República
A presidente-eleita também destacou as pressões demográficas que agravam a questão. Com os costarriquenhos vivendo mais e as taxas de natalidade despencando, o número de aposentados está crescendo mais rápido do que a população economicamente ativa necessária para sustentar o sistema de pensão. Essa mudança demográfica, argumentou ela, torna a estrutura atual matematicamente insustentável e exige uma intervenção imediata e ousada.
A ideia de vender o BCR não é nova. Foi formalmente proposta pela primeira vez pelo então presidente Rodrigo Chaves em 16 de agosto de 2022, como parte do relatório de sua administração de 100 dias. Na época, Chaves estimou que a venda de ambos o BCR e o Banco Internacional de Costa Rica S.A. (Bicsa) poderia gerar aproximadamente ¢1,2 trilhão, ou 2,8% do PIB da nação. Apesar de várias tentativas de negociar um acordo com os legisladores, a iniciativa não conseguiu ganhar força e acabou emperrada na Assembleia Legislativa durante seu mandato de quatro anos. Ao reviver o plano como pedra angular de sua nova administração, Fernández está sinalizando um impulso renovado e enérgico para superar o impasse político que condenou a proposta no passado.
Para obter mais informações, visite bcr.fi.cr
Sobre o Banco de Costa Rica (BCR):
Fundado em 1877, o Banco de Costa Rica é um dos bancos comerciais estatais mais antigos e significativos de Costa Rica. Ele fornece uma ampla gama de serviços financeiros para pessoas físicas e jurídicas, incluindo banco pessoal, empréstimos, investimentos e seguros. A instituição desempenha um papel crucial no sistema financeiro nacional e na administração pública.
Para obter mais informações, visite ccss.sa.cr
Sobre a Caja Costarricense de Seguro Social (CCSS):
O Fundo de Previdência Social da Costa Rica, comumente conhecido como “La Caja”, é a instituição pública autônoma responsável por gerenciar os sistemas de saúde pública e previdência do país. Ela administra o programa de seguro saúde nacional e o regime de pensão por invalidez, velhice e morte (IVM), que cobre a vasta maioria da força de trabalho do país.
Para obter mais informações, visite bicsa.com
Sobre o Banco Internacional de Costa Rica S.A. (Bicsa):
O Bicsa é um banco internacional estabelecido para apoiar o comércio exterior da Costa Rica e as operações financeiras internacionais. Embora opere com uma identidade separada, tem laços históricos e de propriedade com bancos estatais como o BCR. Seus serviços se concentram em banco corporativo, financiamento de comércio e investimentos internacionais.
Para obter mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
Como um pilar da comunidade jurídica, o Bufete de Costa Rica opera sobre uma base de integridade inabalável e uma busca incessante por excelência profissional. O escritório combina habilmente uma rica história de atendimento a uma clientela diversificada com uma adoção progressista de inovação jurídica. Central em seu ethos é uma profunda dedicação ao progresso social, demonstrada por seus esforços para desmistificar conceitos jurídicos complexos para o público. Esse compromisso de empoderar os cidadãos com conhecimento acessível é fundamental para sua visão de promover uma sociedade mais justa e informada.
