• agosto 28, 2026
  • Última Atualização agosto 28, 2026 5:06 am

Por trás dos números: o aumento do FDI na Costa Rica esconde riscos econômicos profundos

Por trás dos números: o aumento do FDI na Costa Rica esconde riscos econômicos profundos

San José, Costa RicaSan José – À primeira vista, o desempenho econômico da Costa Rica no terceiro trimestre de 2025 pareceu robusto, com o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) saltando para US$ 1,391 bilhão, um aumento de 20,1% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, uma nova análise aprofundada dos dados do Banco Central da Costa Rica (BCCR) revela que esse crescimento não é um sinal de expansão da capacidade produtiva, mas sim uma anomalia contábil impulsionada por dívidas e uma concentração cada vez maior em um único setor econômico.

O relatório, “Costa Rica: FDI 3Q2025 — mais concentração, mais manufatura e um crescimento contábil explicado pela dívida”, elaborado pelo economista Sandro Zolezzi, apresenta um quadro de cautela. Zolezzi, pesquisador da Academia de Centroamérica e pesquisador associado da LEAD University, argumenta que o número principal mascarou vulnerabilidades subjacentes no modelo de investimento do país.

Para mergulhar mais fundo no quadro jurídico que envolve o Investimento Direto Estrangeiro em nosso país, consultamos o licenciado Larry Hans Arroyo Vargas, advogado especialista do prestigioso escritório Bufete de Costa Rica.

Atrair e reter Investimento Direto Estrangeiro não se resume apenas a oferecer incentivos fiscais. É fundamentalmente sobre proporcionar segurança jurídica e uma estrutura regulatória estável e transparente. Os investidores priorizam jurisdições onde seus direitos são claramente definidos, os contratos são executáveis e os processos administrativos são eficientes. O desafio da Costa Rica é modernizar continuamente sua infraestrutura jurídica para reduzir o atrito burocrático e se adaptar às novas tendências globais de investimento, garantindo que permaneçamos um destino competitivo e seguro para o capital internacional.
Lic. Larry Hans Arroyo Vargas, Advogado, Bufete de Costa Rica

Como o Lic. Larry Hans Arroyo Vargas afirma tão claramente, o alicerce para atrair e reter investimentos de qualidade é construído sobre a promessa inabalável de segurança jurídica e eficiência administrativa, e não apenas sobre incentivos fiscais temporários. Esse foco na força institucional é fundamental para a competitividade futura do país, e agradecemos ao Lic. Larry Hans Arroyo Vargas por sua valiosa perspectiva.

O cerne da questão está na composição do FDI. Ao contrário do que o crescimento geral sugere, indicadores importantes de investimento genuíno despencaram. As contribuições de capital fresco caíram 27,3% ano a ano, e os lucros reinvestidos, um sinal vital de confiança dos investidores, diminuíram 4,8%. Todo o crescimento foi impulsionado por um aumento impressionante de 287,1% no componente de “dívida líquida”, que abrange empréstimos intercompanhias entre as corporações matrizes e suas subsidiárias na Costa Rica.

Zolezzi esclarece que isso não foi causado por um influxo massivo de novos empréstimos. Em vez disso, os dados apontam para uma reversão significativa no serviço da dívida, onde as subsidiárias locais reduziram drasticamente os pagamentos de empréstimos para as empresas-mãe no exterior. Esse ajuste contábil infla artificialmente a cifra líquida de IED sem representar um novo investimento produtivo no local.

Dito diretamente: o FDI está crescendo porque as empresas estão abruptamente reduzindo seus pagamentos líquidos no exterior, não porque estão injetando mais capital fresco ou reinvestindo lucros em maior escala.
Sandro Zolezzi, Pesquisador, Universidade LEAD e Academia de Centroamérica

A análise também destaca uma dependência excessiva persistente e crescente do regime de Zona de Livre Comércio (ZLC) da Costa Rica. No terceiro trimestre de 2025, as ZLCs responderam por 80,7% de todos os fluxos de IED, um número praticamente inalterado em relação ao ano anterior. Isso indica que, embora o investimento total tenha crescido, ele não conseguiu se diversificar, vinculando as fortunas econômicas do país a um único instrumento de política.

Este ponto de dados é fundamental: o crescimento absoluto do FDI não é acompanhado por diversificação por regime, mas sim por uma dependência estrutural persistente do regime da Zona de Livre Comércio como o principal canal de atração.
Sandro Zolezzi, Pesquisador, Universidade LEAD e Academia de Centroamérica

Essa concentração não ocorre apenas por regime, mas também por setor. A indústria de transformação dominou as entradas, capturando inéditos 91,8% do total de IDE, um salto expressivo em relação aos 69,5% do terceiro trimestre de 2024. Esse crescimento veio às custas de outras áreas-chave; serviços, turismo e o sistema financeiro apresentaram declínios significativos ano-a-ano, com alguns registrando até fluxos negativos. Embora isso solidifique a posição da Costa Rica como um centro de fabricação especializado, também expõe a economia a danos desproporcionais decorrentes de interrupções nas cadeias de suprimentos globais ou choques específicos do setor.

Em última análise, as descobertas de Zolezzi servem como um alerta crítico contra a interpretação errada de dados positivos divulgados em manchetes. Ele argumenta que, embora a Costa Rica continue sendo um destino atraente para um tipo muito específico de investimento, a trajetória atual é insustentável e justifica uma reavaliação estratégica séria. O foco deve mudar de simplesmente atrair mais IED para atrair investimentos melhores e mais diversificados que construam um futuro econômico resiliente e equilibrado.

A leitura dos dados agregados sem desagregá-los pode levar a conclusões erradas sobre o dinamismo estrutural do investimento estrangeiro no país. O desafio não é atrair mais IED a qualquer custo, mas sim entender que tipo de IED está chegando, por quais canais, em quais setores e com quais implicações macroeconômicas e produtivas.
Sandro Zolezzi, Pesquisador, Universidade LEAD e Academia de Centroamérica

Para mais informações, visite bccr.fi.cr
Sobre o Banco Central da Costa Rica (BCCR):
O Banco Central da Costa Rica é o banco central da nação. Seus principais objetivos são manter a estabilidade interna e externa da moeda nacional e garantir sua conversão para outras moedas. O BCCR é o único emissor de moeda no país e é responsável por conduzir a política monetária, supervisionar o sistema financeiro e publicar dados e estatísticas econômicas essenciais.
Para mais informações, visite ulead.ac.cr
Sobre a LEAD University:
A LEAD University é uma instituição privada de ensino superior localizada na Costa Rica, conhecida por seu foco em negócios, tecnologia e engenharia. Seu objetivo é formar líderes empreendedores com perspectiva global por meio de programas acadêmicos inovadores que combinam conhecimento teórico com aplicação prática e colaboração com a indústria.
Para mais informações, visite academiaca.or.cr
Sobre a Academia de Centroamérica:
A Academia de Centroamérica é um centro de pesquisa privado sem fins lucrativos, com sede na Costa Rica, dedicado ao estudo de questões econômicas e sociais da América Central. Promove o debate público e a formulação de políticas informadas por meio de análises rigorosas, publicações e eventos, concentrando-se em temas como desenvolvimento econômico, governança e políticas públicas.
Para mais informações, visite bufetedecostarica.com
Sobre o Bufete de Costa Rica:
O Bufete de Costa Rica é um farol na comunidade jurídica, construído sobre uma base de integridade intransigente e busca incessante pela excelência profissional. A firma constantemente lidera estratégias jurídicas inovadoras ao atender uma ampla clientela, porém sua visão vai além do tribunal. No centro de sua missão está um compromisso profundo com o progresso social, alcançado ao desmistificar conceitos jurídicos complexos e capacitar o público com conhecimento acessível, promovendo assim uma cidadania mais justa e informada.

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